Festival Gastronômico do Mercado Cultural dos Pinhões oferece polo vegano

Adeptos do veganismo têm mais opções de alimentos, que vão de refeições a petiscos e sobremesas. No Festival Gastronômico do Mercado Cultural dos Pinhões, estão disponíveis quatro boxes com essa vertente

Legenda: Filé trinchado com farofa de bacon do Mercantil Vegano
Foto: Natinho Rodrigues

Novidade do Mercado Cultural dos Pinhões, o polo vegano do Festival Gastronômico acompanha a tendência de mudança de hábitos de consumo. Já são 30 milhões de brasileiros adeptos da dieta vegetariana, conforme o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). O local reúne, nos boxes, quatro restaurantes da Capital cearense que não usam ingredientes de origem animal para a produção dos seus cardápios, com funcionamento de quinta-feira a sábado. Além do atendimento local, há serviço de delivery diário.

Baíra Ponce, do Mercantil Vegano, foi a primeira a utilizar o espaço, mas convidou os outros três parceiros para acompanhá-la na nova aposta. O empreendimento, uma iniciativa do filho Thiago Ponce com a esposa Thays Fontenele, funciona há três anos com a produção de carnes e queijos veganos e surgiu a partir da dificuldade rapaz em encontrar diversidade de pratos veganos em Fortaleza.

No Mercado Gastronômico, Daíra fornece três acompanhamentos para o baião de dois: espetinho vegano com linguiça e filé de carne à base de seitan - tipo de glúten, soja graúda, legumes e frutas; filé trinchado ou a calabresa acebolada. Para os intolerantes ao glúten, a chef elaborou uma moqueca de banana.

O filé trinchado, além do baião, acompanha farofa de bacon vegano, feita com pedaços de soja torrada e óleo defumado para simular o cheiro e o sabor da proteína animal, e creme de castanha.

A carne vegetal também é vendida de forma temperada e pré-pronta. "Com esse filé, você pode fazer tudo o que faria com uma carne de origem animal. Tem a mesma textura e cor, e o sabor quem dá é o cozinheiro", explica Baíra.

Os pratos têm despertado a curiosidade daqueles que ainda consomem alimentos de origem animal e, para a chef, a novidade nos Pinhões é uma maneira de apresentar essa opção de gastronomia para outros públicos.

Versatilidade

Outro restaurante presente no polo é o TerrAna. Sob o comando de Ana Mota, tem como proposta promover maior diversidade para os veganos, ao oferecer feijoada e paella próprias para esse público, por exemplo. A chef é especialista ainda em culinária sustentável, integral e inclusiva. "Eu sempre busco fazer todos os tipos de prato vegano para as pessoas entenderem que a versatilidade e os temperos é que dão sabor à comida".

Após temporada na Espanha, Ana conta que teve muita dificuldade em encontrar restaurantes veganos. "Então, eu decidi oferecer comida de qualidade e saborosa aqui em Fortaleza, que era o que eu já fazia", explica.

Legenda: Croquete de shitake, sem glúten, servido pela chef Ana Mota, do TerrAna
Foto: Natinho Rodrigues

Um dos pratos vendidos no Mercado é o croquete de shitake, boa alternativa como petisco, que leva o cogumelo, shimeji, folhas de grão de bico, arroz negro, pimenta biquinho, calabresa e páprica. A iguaria é apropriada, inclusive, para os intolerantes a glúten, já que os ingredientes não contêm essa proteína. No preparo, a chef Ana suaviza o sabor do shitake, por ser muito marcante e característico, com um caldo de legumes quente.

Praticidade

O Pimenta Vegana, de Jéssica Sousa, começou como uma fonte de renda extra na época em que ela estava na faculdade. A farmacêutica preparava lanches, pizzas e doces para vender por delivery. O gosto pela culinária foi tanto que ela resolveu abandonar a carreira da graduação para se dedicar ao restaurante. "De certa forma, é um ativismo também, porque eu acho que o movimento começa no prato. Surgiu com a proposta de mostrar que comida vegana é comida boa e acessível", afirma sobre o veganismo.

Legenda: Picadinho de carne vegetal com legumes, farofa e baião do Pimenta Vegana
Foto: Natinho Rodrigues

No cardápio, o pratinho de picadinho de carne vegetal com legumes, acompanhado de baião de dois e farofa foi feito pensando em atrair pessoas que estão abertas a ver outros tipos de comida, explica Jéssica.

No restaurante, localizado no bairro Benfica, a chef serve ainda lanches, salgados e opções para almoço e jantar, além de doces, bolos. Diariamente, o cardápio é variado.

Para quem não dispensa uma boa sobremesa, há o box da Karlota Delícias Artesanais. Com toque e produção de Karla Farias, o menu do empreendimento oferece bolos, muffins, tortinhas salgadas e doces, croissants e os pães artesanais, que são o carro-chefe da casa.

"A culinária sempre esteve presente na minha vida de forma inventiva, não tenho treinamentos em grandes cozinhas. Minha mãe trabalhava, e eu tinha que fazer as coisas em casa. Ela nunca gostou da ideia de eu, quando criança, mexer em fogão, mas sempre tive essa aptidão", conta.

Legenda: Bolo de chocolate com calda de frutas vermelhas da Karlota Delícias Artesanais
Foto: Karla Farias

O bolo de chocolate com calda de geleia de frutas vermelhas é uma das sugestões servidas no Mercado pela Karlota. A massa é feita com castanhas e chia. A cobertura é produzida de forma caseira.

Fora do polo vegano, Karla vende seus quitutes pelas ruas de Fortaleza montada em sua bicicleta. Além de pensar no sofrimento animal, a chef adota práticas sustentáveis ao oferecer brinde para os clientes que levam suas próprias vasilhas e copos.