Fashion film vencedor do DFB Digifest 2020 traz trama futurista sobre pandemia e monitoramento

Campeão na categoria "Melhor Fashion Film Independente" da 2ª edição do Concurso MoveModa, "Noa: Você está sozinha?" aborda ainda modernidade líquida e criação de alter ego na internet para combate à solidão

Legenda: A personagem Noa, baseada na cultura das e-girls, se torna um fenômeno virtual para lidar com a solidão
Foto: Lucas Everdosa

O ano é 2057 e a Terra foi atingida por uma pandemia que leva as forças públicas a tomarem medidas drásticas de isolamento e vigilância. A trama distópica é o que conduz “Noa: Você está sozinha?", um dos quatro fashion filmes vencedores da 2° edição do Concurso MoveModa do DFB Digifest 2020, versão virtual do festival, ocorrida durante o mês de julho. Levando o prêmio na categoria de "Melhor Fashion Film Independente", o filme atende à uma temática futurista, apresentando questões como a modernidade líquida e interações virtuais.

Desenvolvido por Lucas Ervedosa e João Estelito, estudantes de jornalismo e cinema na Universidade de Fortaleza, o curta-metragem participa do projeto "Manifesto", uma trilogia antológica de fashion filmes. As duas sequências, "Plúmula" e "Lasciva", também concorreram nas quatro categorias do festival, que levantam os critérios de linguagem, crítica, moda, produção e arte.

Motivados pelo própria realidade, os idealizadores criaram um universo em que um vírus de computador começa a provocar sintomas físicos em pessoas, o que leva a população a entrar em confinamento sob monitoração extrema das forças públicas. Noa, representada pela modelo Délleny Mourão, não consegue lidar com as medidas estabelecidas e acaba criando um alter ego misterioso na internet para combater a sua solidão.

“Em meio ao caos e à pandemia que o mundo real está enfrentando, percebemos que as medidas de segurança, como o isolamento social, apesar de importantes, também podem desencadear problemas à nossa saúde mental. Assim, trouxemos uma garota comum que está lidando com o distanciamento, mas que, em meio a uma solidão extrema, acaba por descobrir uma nova persona dentro da internet, sem saber mais o que é real e o que não é”, explica Lucas.

Entre as referências, estão os estudos de Zygmunt Bauman, em “Modernidade Líquida”, sobre o abalo das relações humanas e o surgimento de conexões fáceis de romper. No filme, após se tornar um fenômeno virtual, Noa passa a ganhar cada vez mais interatividade na web. Entretanto, a pressão não é algo fácil de aguentar.

O curta também foi embasado pela cultura das E-Girls, garotas que acompanham uma tendência estética da moda nas mídias sociais online, o que explica as escolhas visuais feitas pelos estudantes, como cabelo, maquiagem e styling.

 

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