Erika Januza conta que usou mega hair por 15 anos: 'Aquilo era meu escudo'

Atriz relata que sofria com comentários racistas na escola por conta do seu cabelo

Esta é uma imagem de Erika Januza
Legenda: Erika Januza afirma que usou mega hair por 15 anos
Foto: Reprodução/Instagram

A atriz Erika Januza contou que começou a alisar os cabelos aos 8 anos de idade, em entrevista ao Uol Notícias. Depois do processo de alisamento, Januza afirma que usou mega hair por 15 anos, pois sentia que dessa forma ninguém poderia falar do seu cabelo.

"Eu usei mega por muito tempo, era um cabelo liso, enorme, na bunda, lindo. E aquilo era meu escudo. Eu sentia que ninguém podia mexer comigo, ninguém podia falar do meu cabelo. Quando tinha que trocar, eu não saía de casa, não deixava ninguém me ver e era um processo que durava um dia inteirinho a troca, doía", relatou.

A transição capilar ocorreu quando a atriz fez sua estreia na novela "Suburbia". "Chegou em uma etapa dos testes em que perguntaram se eu toparia cortar meu cabelo, porque eles queriam um cabelo cacheado. Eu queria muito aquele papel, então aceitei. Tirei o cabelo ali e fui embora arrasada, me sentindo nua, com meu cabelo super caro na bolsa, eu investia muito nos fios, estava ali minha autoestima, minha proteção", diz ela.

Na época da escola, a Erika disse que recebia comentários racistas  sobre seu cabelo. "A época da escola era massacrante, eu era chamada de cabelo duro, cabelo de bombril, e comecei a alisar. E, eu via na TV aqueles xampus que prometiam deixar os cabelos lisos, lindos ao vento, então eu comprava aquilo e acreditava, como se aqueles produtos fossem funcionar no meu cabelo", afirma. 

Por conta do trabalho, Januza relata que precisou fazer muitas mudanças nos seus fios.  "Como atriz, fui fazendo muita coisa no cabelo, e ele começou a cair de tanto procedimento. E eu fiquei pensando em raspar. Teria Amor de Mãe [novela das 9 que foi interrompida] e eu resolvi propor para o [José Luiz] Villamarim, diretor da trama, cortar. Comecei a pensar que podia inspirar muita gente. Ele deu ok", explica. 

"Como eu achava que minha cor já era uma questão, eu não me permitia usar roupa branca ou colorida, nem estampada. Sério, eu só tinha roupa preta. Queria passar despercebida", relembra.

A atriz contou também que há oito anos era mais difícil encontrar produtos para seu tom de pele e quando os achava, eles eram mais caros. "Mas parece que, enfim, o mercado está entendendo que a maior parcela da população brasileira é negra, e não adianta oferecer produto só para a outra metade. Antes a gente aceitava porque não tinha, mas não mais!", conclui a atriz.


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