De Babu a Luciano Huck, famosos lamentam morte do menino de 14 anos no Rio

Artistas se mobilizam por mortes de negros e pobres na capital carioca

Legenda: Babu Santana, Thelma Assis, Lázaro Ramos e Taís Araújo foram alguns dos famosos que se pronunciaram sobre o ocorrido
Foto: Reprodução/Instagram

Nesta segunda-feira (18), um menino de 14 anos foi baleado dentro da casa de seu tio em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, durante uma operação da Polícia Federal com apoio das polícias Civil e Militar fluminenses no Complexo do Salgueiro. João Pedro Matos Pinto estava brincando com os primos quando traficantes pularam o muro para fugir dos agentes, que chegaram atrás atirando e acertaram o jovem na barriga, segundo parentes e amigos.

A tragédia chamou a atenção de políticos, como Marcelo Freixo e Lula, além de famosos como Babu Santana, MC Rebecca, Lucy Ramos, Sheron Menezes, Bruno Gagliasso e outros artistas globais.

"O Estado Brasileiro mata. Diariamente. Aos montes. Até tudo virar 'apenas' número. Gente não é número. Gente tem nome, tem vida, tem história. Hoje foi o João Pedro. João Pedro não é um número", disse a atriz Taís Araújo no Twitter.

Lázaro Ramos também usou as redes para um desabafo: "Tristeza, revolta e mais uma vez o grito por justiça de quem já está chorando seus mortos há muito tempo. A primeira coisa que nos tiram é a humanidade. Para nós acreditarmos que não tem outro caminho. Não podemos acreditar nisso. Tem caminho e precisamos nos importar sim. Sempre".

Luciano Huck publicou um vídeo com trechos que mostram o menino assassinado com sua família, e um texto lamentando a banalização da morte de uma criança de 14 anos. "Causa indignação esse extermínio de jovens pobres e negros nas comunidades país afora. Não é só no Rio. Isso é uma doença nacional que exige responsabilidade social de todos nós em busca da cura. Triste. Muito triste".

"E inaceitável mais um assassinato de jovem preto no Brasil", diz Daniela Mercury em uma publicação no Instagram. "Joao Pedro estava em casa, com a familia, tinha 14 anos, e não! Não tinha envolvimento com criminosos. Foi assassinado dentro de casa durante uma operação policial no Rio de Janeiro, na favela, onde estão as pessoas mais vulneráveis e mais sofridas com tudo o que esta acontecendo. Quando haverá uma responsabilização exemplar? Quando as vidas dos pretos vai importar? 14 anos de idade. E se fosse seu filho?"

Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, também prestou solidariedade aos familiares de João Pedro. "Meu coração sangra pela família do menino João Pedro! Todo dia a favela chora de alguma forma! Todo dia o povo preto sofre de alguma forma! Todo dia nos matam um pouco de alguma forma! Chega de genocídio! Chega!"

Gleici Damasceno, campeã do Big Brother Brasil 18, diz que as balas perdidas "têm sempre o mesmo alvo". "João Pedro era só uma criança brincando dentro de casa. Essas balas perdidas têm sempre o mesmo alvo. A carne mais barata do mercado é a carne negra", disse. Já a campeã do BBB 20, Thelma Assis, publicou um desenho que representa o menino entrando no céu; a mesma imagem foi compartilhada pela cantora Iza. "Acordei com essa notícia horrível. Que tristeza. Que dor. Até quando isso, meu Deus?".

Leticia Colin e Alice Wegmann também se pronunciaram. Elas republicaram um texto da filósofa Djamila Ribeiro, que diz que o governador do Rio de Janeiro foi eleito sob a promessa de uma política genocida, mais ainda da que já era praticada. "Disse que sob seu comando a polícia ia mirar e "atirar na cabecinha". Enojante, tudo muito revoltante. Existe uma guerra contra a população negra desse país", diz o texto.

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#Repost @djamilaribeiro1 with @make_repost ・・・ Fiquem em casa, dizem. Pois João Pedro Mattos estava em casa, brincando com seus primos, quando seu corpo foi mutilado com as balas perdidas que só encontram corpos negros. Domingo, estava assistindo a um telejornal, numa matéria em que falava sobre essa Operação que subia uma comunidade e matou várias pessoas no Complexo do Alemão, como se fosse a coisa mais normal do mundo. É normalizado, não deve ser normal.Cenas do Caveirão do Bope, veículo conhecido do Tropa de Elite, filme que ainda é exibido semanalmente, apesar de glorificar tortura, corporação e máquina de guerra genocidas para depois a matéria cortar para uma pessoa da polícia, penso que o delegado, dizer que era para a população ficar tranquila, pois não havia morrido nenhum "inocente". Historicamente ninguém dessas comunidades é ouvido em matérias como essa e, dessa vez, o formato se repetiu. Mais um discurso de supremacia branca produzido com sucesso na televisão, um discurso que produz mortes. João Pedro Mattos foi uma delas, juntando-se a Amarildo, Claudia, Ágatha e outras milhões de pessoas. Alvejado, e sob o risco de atrapalhar a sinfonia assassina entre polícia, governo e mídia, seu corpo foi subitamente colocado em um helicóptero, sem ninguém de sua família, que ficou dezesseis horas sem saber seu paradeiro! 16 horas! Tempos depois, após uma campanha na internet, descobriu que o corpo do menino estava no IML. O horror... o horror... Vale dizer, o governador do Rio de Janeiro foi eleito sob a promessa de uma política genocida, mais ainda da que já era praticada. Disse que sob seu comando a polícia ia mirar e “atirar na cabecinha”. Enojante, tudo muito revoltante. Existe uma guerra contra a população negra desse país. João Pedro, presente! . . Ps: prefiro não expor a foto do menino

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"O caso João Pedro não é "menino morre". João Pedro foi assassinado pelo Estado, executado dentro de casa e em seguida teve seu corpo sequestrado, deixando a família em prantos. Um jovem negro assassinado por uma política de segurança pública ineficaz, brutal e sem preparo", disse Felipe Neto.