Da Barra do Ceará ao Mucuripe, fotos de Fortaleza como talvez você nunca tenha visto

Registros estão no livro “Fortaleza Cidade Luz”, cuja proposta é atravessar a cidade contemplando bairros, monumentos e flagrantes cotidianos

Legenda: Vista área da Praça dos Mártires (Passeio Público), no Centro da cidade
Foto: Gentil Barreira

Fortaleza não tem vocação para caber num registro. Disso você já sabe. É cidade no plural. Tão diversa que convoca à pergunta: de quantas formas pode ser vista a capital cearense? Como reunir detalhes para além dos tradicionais locais? “Fortaleza Cidade Luz” abraça esse múltiplo frescor da metrópole enquanto desbrava cada cantinho desse chão imenso e bonito.

O livro é o mais recente lançamento da Terra da Luz Editorial, e impressiona pelo farto material em imagens e informações. A aposta é no carinho pelo urbano fortalezense. Pulsa a sede de conhecer. Da Barra do Ceará ao Mucuripe – indo, portanto, do marco-zero ao limite oposto – tudo ganha ainda mais cor e brilho nas páginas da publicação.

Gentil Barreira assina as fotografias – feitas durante a pandemia de Covid-19, e também provenientes do Arquivo Imagem Brasil. A proposta, segundo ele, é criar uma narrativa sobre a cidade. Algo feito um passeio de bicicleta, imaginado pelo geógrafo e professor José Borzacchiello, responsável pelos textos. “Tudo com muita coerência a partir de um olhar criativo”, diz.

Legenda: Rio Cocó, com perfil da cidade ao entardecer
Foto: Gentil Barreira

Pudera: assuntos e recantos não faltam em cada página. Dividida em oito capítulos, a obra percorre as esquinas da urbe, transita pelo sudeste – a partir de caminhos traçados da Messejana ao Mondubim – e adentra o Centro, adjacências e os novos rumos de um território disposto a driblar fronteiras. Roteiro espiralado.

A abordagem é mostrar uma Fortaleza atual e, portanto, múltipla. Espaço em diversidade de experiências. “A ideia foi traduzir isso, destacando os aspectos mais positivos de um olhar que sai do extremo a outro da Capital, adentrando pelo Centro”, detalha Patrícia Veloso, coordenadora editorial do projeto.

Legenda: Passagem de trem, no Jacarecanga
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Floresta do Curió
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Escola de Ensino Médio em tempo integral Liceu do Ceará, no Jacarecanga
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Marco Zero, Barra do Ceará
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Vista aérea do Centro Fashion, no Jacarecanga
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Vista da Praça Portugal, em direção à Beira Mar
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Casa de José de Alencar, Messejana
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Floração de Ipês no Montese
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Vista aérea com Praça dos Leões ao centro
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Reitoria da Universidade Federal do Ceará
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Praça Portugal em decoração natalina, na Aldeota
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Avenida Sebastião de Abreu, ladeada pelo Parque do Cocó
Foto: Gentil Barreira
Legenda: Verde mar de Fortaleza
Foto: Gentil Barreira

Além das fotos com ângulos privilegiados – é possível acessar tanto um habitante numa passagem de trem no Jacarecanga até a vista panorâmica do Passeio Público – há um poema de Antônio Filgueiras Lima (1909-1965); mapa completo da cidade; e seção intitulada “Além Fortaleza”, abarcando os municípios de Caucaia e Aquiraz.

Ambientes, culturas, realidades

Um dos aspectos mais importantes do livro é chamar atenção para o fato de que conhecemos pouco nosso lar. A equipe à frente da publicação também sentiu isso. Ao se deparar com lugares e situações geralmente desconhecidas do público geral, tiveram contato com paisagens deslumbrantes. A Floresta do Curió é um exemplo. O Parque Botânico é outro. 

Folheando a obra, vemos que Fortaleza, apesar de tantos desafios, é local com ainda belíssima cobertura verde. “Um percurso que é feito junto com o texto e as imagens, encontrando elementos que mesclam referências nossas do cotidiano, de histórias culturais e ambientes naturais. Tentamos valorizar esse patrimônio natural da cidade – banhado pelo Atlântico, por vários rios, e com a presença de ainda muitas árvores”, destaca Patrícia.

Não deixa de ser convite: sair das casas, prédios e varandas para povoar ruas, parques e mares. Permitir a errância, o se perder na urbe. Preservá-la. Encontrá-la. Eis aí um desafio: como registrar uma cidade tão dinâmica e cravá-la numa publicação fixa? De acordo com Gentil Barreira, “tivemos que ter cuidado. Às vezes, você fotografa um lugar e, na outra semana, ele está diferente. Tentei captar certos ambientes que não se modificassem tanto”.

Legenda: Estação Bicicletar, na Avenida Aguanambi
Foto: Gentil Barreira

Mas nada de imobilidade. Tudo é movimento no projeto. Incorporando a figura do flâneur, atravessamos bairros e regiões com leveza e informação. Interiores e exteriores, clareados por luz única – herança da condição geográfica, próxima à linha do Equador. Brilho nosso. Farol que se estende no jeito de ser fortalezense. Gostamos de acolher, sorrir e estar.

“Fortaleza Cidade Luz” congrega tudo isso deixando rastros e alimentando outros. Habitar uma cidade é isso. Para Gentil, as fotografias podem contribuir com nossa autoestima social e despertar maiores cuidados. Urbe possível. Para Patrícia, a totalidade do projeto reconstrói memórias, confirma laços de afeto. Universo almejado.

“Conviver com a cidade dessa maneira, na qual podemos estreitar esses laços, vai fazer com que possamos cuidar dos patrimônios naturais, culturais e termos todos uma convivência melhor com isso”. Feito recita Filgueiras Lima: “É a tua alma, cidade! E nela eu vivo”.

 

Fortaleza Cidade Luz
Coordenação editorial de Patrícia Veloso
Fotos de Gentil Barreira e textos de José Borzacchiello

Terra da Luz Editorial
2021, 204 páginas
R$80 (à venda no site da editora)

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