Colorindo muros e rotinas, Festival Concreto 2020 leva programação cultural ao Jangurussu

A 7ª edição do evento de arte urbana acontece entre os dias 20 e 28 de novembro no Residencial José Euclides

Legenda: Em pré- festival, grafiteiros realizaram primeiras intervenções nos muros de um residencial
Foto: Jenyfer Sousa

Desde 2013 dando vida aos muros da cidade com as cores vivas e os traços únicos do grafite, o Festival Internacional de Arte Urbana – Festival Concreto chega à sétima edição com novidades. Se, em outros anos, os murais eram produzidos em diversos pontos de Fortaleza, em 2020, o evento se volta ao Grande Jangurussu, em programação ampliada. 

A partir desta sexta-feira (20) até o dia 28 de novembro, os 20 artistas convocados pelo Festival exibem seus trabalhos e produções nos muros do Residencial José Euclides Ferreira Gomes.

Um dos responsáveis por fazer isso acontecer e morador do bairro, Léo Suricate, um dos cocriadores da página do Facebook Suricate Seboso, adianta que “o Concreto vem pra dar proporções que a gente não conseguiria dar nesse momento, é muito importante, grandioso e capaz de mudar as vidas das pessoas que estão aqui”. 

Para ele, a arte tem a capacidade de tornar as pessoas mais humanas, e esse é o objetivo: fazer com que essa comunidade reconheça os direitos de acesso ao lazer e à cultura. “Desde que o Concreto chegou aqui, temos visto mais pessoas nas ruas, ocupando os espaços. Estamos criando com eles essa cultura de espaço, de comunidade, de vivência”, diz. 

O humorista explica que, para isso, o planejamento é realizar debates em torno das necessidades, como a questão do lixo e manutenção do espaço.

Legenda: Edição de 2020 é realizada em parceria com Léo Suricate, do Suricate Seboso
Foto: Jenyfer Sousa

“Fazer parte desse momento é mostrar pras pessoas que a gente pode. O coletivo tá mudando. O Fábio, o Carlinho que vende sanduíche, os pivetes, tão todos mudando, é uma oportunidade que não existia. Isso, pra mim, é transformador”, pontua Léo. 

Agente de mudança

Foi a partir desse potencial transformador que Narcélio Grud, artista e idealizador do Festival Concreto, resolveu criar esse espaço na comunidade do Jangurussu numa parceria com Leo. 

“Tem sido incrível, toda a receptividade que temos tido pela comunidade, cada pequena coisa que a gente faz já gera um supermovimento, eles se empolgam com a coisa, se engajam. Chegamos lá em agosto para conhecer as pessoas e nos apresentar. Desde então, fizemos algumas atividades no Residencial, como o grupo Arte no Bloco”, afirma Grud.

A iniciativa reúne 15 jovens da localidade em uma banda que faz música a partir de instrumentos produzidos com sucata, sob a orientação do músico Cicinho. O grupo fará apresentação durante a programação do Concreto.

Nas vivências no espaço, outras iniciativas foram surgindo, a exemplo da midiateca móvel que funcionará como um centro cultural itinerante com biblioteca, gibiteca, videoteca, além de sediar ações diversas na comunidade.

Outro projeto que deve seguir como ação contínua é o Concreto Vital, que promove iniciativas de saúde em parceria com o Coletivo Rebento. Aulas de ioga, palestras sobre gravidez precoce e alcoolismo compõem a programação. 

“A ideia é que cada ação dessa siga acontecendo, não queremos que pare quando o evento acabar. Para isso, vamos criar a Zona Franca de Arte e Cultura Urbana no Jangurussu”, projeta o artista. 

Legenda: Além dos painéis grafitados, o Festival realiza programação ampla para a comunidade
Foto: Jenyfer Sousa

Parceria

Entre os artistas participantes do Festival está Charles Lessa, jovem artista de 26 anos, natural do Crato. Pela terceira vez no Concreto, Charles apresenta um mural de colagens que formam como seria a figura da filha do Majin Boo, personagem famoso do anime Dragon Ball Z. “É um personagem que gosto muito e meu trabalho tem uma pegada mais figurativa, mais onírica”, explica. 

Prestes a se graduar como artista visual pela Universidade Regional do Cariri (Urca), o jovem conta sempre ter gostado de desenhar e que se reconhece como artista desde a infância. Mas foi só com as vivências no Ensino Médio e Superior que formou repertório criativo para atuar profissionalmente com a arte urbana. 

“Eu gosto de criar e, no fim das contas, eu acho que é mais sobre criar do que sobre técnica. A arte ocupa um lugar essencial na minha vida, foi um agente transformador. Eu sou de uma quebrada do Crato e ela me proporcionou outras oportunidades e prioridades”, afirma.

Atuar como artista também transformou a vida de Dhiovana Barroso, de 26 anos. Ao lado da namorada Marissa Noana, de 23 anos, ela forma o coletivo Terroristas Del Amor, também convocado na seletiva local do evento. 

Para estrear no Concreto, as duas uniram as referências que permeiam o trabalho do coletivo — amor, afeto e diversidade — para contar, assim, a própria história. “O nosso painel se chama ‘Solos férteis para habitar’. Falamos sobre formar raízes e frutificar, sobre perpetuar e existir da forma como nós somos, aplicando elementos pessoais”, detalha Dhiovana.

Para ela, a arte vai além de mera expressão. É força de identidade e resistência. “A arte me dá ferramentas pra que eu consiga me inserir e consiga viver enquanto mulher preta e gorda. Por isso, no nosso trabalho, trazemos todo esse poder da nossa ancestralidade, essas vivências de luta que já vêm com a gente”, pontua.

 

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