Canções de Belchior são regravadas por outros artistas desde o início de sua carreira

De Elis Regina a Emicida, artistas de diversas gerações deram novas roupagens às composições do cearense

Escrito por
Dellano Rios dellano.rios@svm.com.br
(Atualizado às 06:44)

Desde o início da carreira, Antônio Carlos Belchior sempre foi mais que um intérprete das próprias canções. O cearense mostrou cedo que tinha talento para figurar no panteão da MPB de cantores que mantém uma segunda vida, como compositores, vendo suas canções fazerem sucesso em outras vozes. Não é à toa que seu nome e o de Elis Regina estarão, para sempre, ligados. 

Mas a Pimentinha não foi a única a gravar Belchior no auge do cantor, nos anos 1970. A obra do cearense continuou a arrebatar admiradores e a ser reinventada, em disco e em shows, por contemporâneos do autor de “Alucinação” e por nomes de gerações seguintes. Belchior segue vivo, em gravações que atravessam o tempo e os territórios da música brasileira: do folk ao rock, do rap à MPB puro-sangue (sonho e América do Sul). 

Veja aqui como os versos de Belchior soam em outras vozes famosas.  

Emicida – "AmarElo" 

 Em 2019, o rapper Emicida lançou uma colaboração com Majur e Pabllo Vittar, que inclui versos de "Sujeito de sorte" e um sample da canção original, de 1976. A música integra o clássico "Alucinação" e, se não foi o maior sucesso do músico à época, hoje é uma das mais tocadas de sua discografia nas plataformas de streaming. O verso “ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” tornou-se uma espécie de lema das novas gerações. 

 

Humberto Gessinger – "Alucinação" 

Humberto Gessinger nunca escondeu a admiração pela obra de Belchior. O tom existencial das canções dos Engenheiros do Havaí tem, certamente, raízes em comum com as canções do cearense. Com a banda, o gaúcho gravou “Alucinação”, no álbum “Minuano” (1997). A canção, pinçada do disco homônimo de 1976, continuou a fazer parte de repertórios das turnês solo de Gessinger, como nesse show feito de 2017, em Fortaleza. 

Erasmo Carlos – "Paralelas"

O Tremendão gravou “Paralelas” em seu álbum “A banda dos contentes” (1976). Belchior só lançaria sua versão da canção no ano seguinte. A versão de Erasmo Carlos não foi um sucesso, segue como uma pérola pouco conhecida de seu repertório e uma de suas das interpretações mais bonitas. Aqui, os versos soam ainda mais melancólicos e os versos sobre a paisagem carioca parecem ainda mais verdadeiras e doídas na voz de Erasmo.   

Maria Rita - "Como nossos pais"

Em 2012, Maria Rita lançou “Redescobrir”, turnê, DVD e álbum ao vivo, em homenagem a sua mãe, Elis Regina, nos 30 anos de morte da cantora mineira. “Como nossos pais”, de Belchior, fez sucesso numa versão potente de Elis. Maria Rita entrega uma interpretação mais suave e carinhosa. Nos tempos de amadora, quando viveu nos EUA, a filha de Elis chegou a participar de um concurso, com outro Belchior do repertório da mãe: “Velha roupa colorida”   

Amelinha – "Galos, noites & quintais" 

Amelinha conheceu Belchior ainda nos anos 1960. Dividiu com o amigo – e com Ednardo – o disco “Pessoal do Ceará”, em 2002. Nele, já interpretava canções de Belchior. Dez anos depois, revisitou o cancioneiro do conterrâneo no projeto “Janelas do Brasil”. Nele, Amelinha interpreta “Galos, noites e quintais” (originalmente gravada pelo compositor 1977). No ano da morte de Belchior, a amiga lançou o belíssimo “De primeira grandeza – As canções de Belchior”, só com músicas dele.