Bolsonaro passa conselho audiovisual para Casa Civil e cogita fim da Ancine

Mudança faz parte de decreto formulado pelo Palácio do Planalto, assinado na última quinta-feira (18)

Legenda: Com mudanças, novos rumos devem vir para a Agência Nacional de Cinema

O presidente Jair Bolsonaro transferiu o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil.

A mudança faz parte de decreto formulado pelo Palácio do Planalto. Ontem (18), em cerimônia comemorativa dos 200 dias do atual governo, Osmar Terra, ministro da Cidadania, confirmou que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) será transferida para Brasília. Ficam no Rio de Janeiro apenas o restante dos funcionários.

Bolsonaro defendeu o deslocamento da Ancine devido ao suposto "ativismo" na produção de filmes nacionais, citando como exemplo o filme "Bruna Surfistinha", lançado em 2011, com direção de Marcus Baldini, que narra a história de uma ex-garota de programa.

Conforme o governo, o intuito, com a mudança, é fortalecer a articulação e fomentar políticas públicas necessárias à implantação de empreendimentos estratégicos para a área. 

Alterações

Segundo relatos feitos à Folha de S.Paulo, o presidente está insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações na estrutura.

Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, o presidente avalia extinguir a Ancine, atualmente em crise.

No final do ano passado, o ex-presidente Michel Temer já havia feito alterações no colegiado de cinema, diminuindo o espaço de cineastas e aumentando o de representantes das telecomunicações.

O conselho foi criado em 2001 e é composto por nove titulares e nove suplentes. É de sua competência aprovar diretrizes gerais para o desenvolvimento da indústria audiovisual e estimular a presença do conteúdo brasileiro nos segmentos de mercado.

Os representantes da indústria audiovisual e da sociedade civil, assim como seus suplentes, são nomeados pelo presidente para mandatos de dois anos, sendo permitida uma recondução.