Barão Vermelho volta com trabalho inédito e discute discursos de amor e ódio

Lançamento oficial do disco ocorreu no último mês e trabalho está disponível nas plataformas digitais

Legenda: O último disco com canções inéditas do Barão Vermelho havia sido lançado em 2004, com a voz de Frejat
Foto: Foto: Marcos Hermes

Muitas mudanças foram vividas pelo Barão Vermelho desde 1981, ano de criação da banda. Na época, nomes como Cazuza, Frejat, Leo Jaime, Guto Goffi, Dé e Maurício Barros encabeçavam o trabalho e iniciavam uma história longa, na qual acabariam firmados como uma das maiores bandas de rock do País.

No entanto, assim como em todo caminho trilhado, as mudanças viriam. Entre elas, a de mercado, a saída de integrantes e as adaptações. Mesmo assim, no meio disso, uma certeza parece ter ficado cada vez mais latente: a capacidade de reinvenção ao longo do tempo.

Assim, o novo momento chegou. Desde 2004 sem disco com músicas inéditas, o Barão divulga "Viva", o primeiro álbum desde 1986 sem a voz de Frejat. Nele as canções soam como um grito de paz e amor diante da guerra. Pelo menos é essa a ideia defendida por Maurício Barros. Coautor de tantos sucessos do grupo e agora, oficialmente, de volta ao lado dos colegas, foi ele o responsável por contar ao Verso sobre a nova fase.

"Nós tínhamos esse desejo, ou essa petulância, de mostrar nosso material, e também a vontade de prestigiar os fãs que nos acompanham há tanto tempo", diz ao mesmo tempo em que questiona o mercado atual.

Hoje, é Rodrigo Suricato o responsável por dar voz às melodias entoadas pelo Barão Vermelho. Entre as letras, agora se entrelaçam referências que vão além do rock. Nota-se, por exemplo, a presença do hip-hop. E surgem letras com mensagens simples e instigantes.

Transformação

Se a urgência por fazer música se mantém, são as mutações nos processos cotidianos os fatores capazes de alicerçar o que o grupo representa atualmente. Para Maurício, o orgulho por tudo que já foi feito ainda é um sentimento presente. No entanto, o foco agora são os caminhos que estão por vir.

"Chegamos aqui, em pleno 2019, mas estamos olhando para o futuro, sempre atentos ao que está acontecendo à nossa volta, com o intuito de seguir em frente", comenta.

Fazer revolução

Hoje, produzir música e lançar parece pouco para o Barão. Nessa linha, se colocar em um lugar de fomento de discussão soa como uma forma de ir além. Maurício, inclusive, faz questão de ressaltar que as composições do novo trabalho foram pensadas a partir de temas atuais e relevantes.

"Nossa intenção foi falar desses tempos sombrios, vividos tanto aqui no Brasil como no resto do mundo. São canções onde deixamos bem claro que acreditamos no 'não' ao ódio e 'sim' ao amor", relata.

As nove canções inéditas versam sobre conhecimento, liberdade, tolerância e também sobre o caráter significativo do amor entre os seres.

De acordo com Maurício, o lançamento do disco é um posicionamento claro das ideias difundidas pelo Barão. O artista destaca que há a necessidade de resistência, seja por conta das dificuldades com a arte em terras brasileiras atualmente ou pela necessidade de quebra dos muros construídos pelas pessoas no dia a dia.

"O amor é revolucionário. Em tempos de ódio, acreditamos muito na força do ato de dar as mãos uns aos outros", observa.

Mesmo com toda vontade, o processo de montagem do novo trabalho não foi simples. Foram necessários, dias de atenção e dedicação para que tudo saísse conforme o planejado por todos os integrantes. "Foram alguns meses nessa busca sobre o que abordar nas composições. Depois disso, ainda entramos na fase de pós-produção, escolha do material, etc".

Maurício não cansa de ressaltar também os antigos e novos planos. "Estamos sendo ainda mais sinceros com nossas ideias e acreditamos poder, daqui a um tempo, investir em outras formas musicais", avisa.

Novos horizontes

Indo além disso, as nove canções do lançamento sinalizam uma abertura para algo sempre maior. "O melhor disco tem que ser sempre o próximo", afirma o também o baterista Guto Goffi, em material de divulgação do grupo.

Se desde 2004, o Barão Vermelho não fincava pé no lugar entre as bandas tradicionais brasileiras. A impressão, dessa vez, é que chegam carregando consigo uma força ainda maior, mesmo que a música e a forma de consumi-la estejam diante de uma metamorfose contínua e muito desafiadora.

A sensação é de uma reunião de artistas dispostos a perseguir os objetivos mantidos há tempos e mostrar, acima de tudo, que o Barão está vivo, assim como o novo disco.

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