Artistas e público de circo partilham novidades do retorno de espetáculos presenciais em Fortaleza

Com distanciamento social do estacionamento ao picadeiro, público de circo volta para acompanhar acrobatas, palhaços e ilusionistas. Rotina dos artistas também teve que passar por adaptações 

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Legenda: A rotina de artistas circenses também foi alterada para manter todos em segurança
Foto: Natinho Rodrigues

O “respeitável público” ganhou ainda mais atenção desde a retomada dos circos em Fortaleza. Depois de cerca de seis meses em que, entre outras atividades, as apresentações culturais foram suspensas, o abrir de portas do picadeiro marca o retorno gradual de algumas atuações relacionadas à cultura. 

Uma série de protocolos de segurança para evitar novos casos da Covid-19 no Ceará, decretados em lei, estão em prática desde o dia 11 de setembro. Na capital cearense, o Cirque Amar foi um dos primeiros espaços a iniciar apresentações. Na avaliação de Bryan Stevanovich, quinta geração de família circense, responsável pelo circo, o retorno das atividades com espectadores foi um sucesso mesmo com a redução de pessoas no picadeiro. 

Da compra do ingresso até o sentar nos bancos do circo é possível ver a inserção de protocolos de segurança para evitar a proliferação da Covid-19 e, ainda assim, possibilitar a diversão de adultos e crianças. O público pode adquirir os ingressos pela internet ou, se preferir, na bilheteria do circo — evitando saídas na semana. “Não precisa reservar vaga. É só chegar e comprar. Isso reduz a saída das pessoas nas ruas”, destaca Bryan Stevanovich. 

Assim como no show de retorno, os protocolos seguem em todas as apresentações de terça a domingo. No estacionamento, os veículos contam com distanciamento de vagas. Ao chegar na entrada do circo, o espectador passa por uma barreira sanitária. Uma equipe realiza aferição de temperatura corporal na primeira fase de avaliação. Em seguida, o público passa por tapetes higienizadores que descontaminam os calçados de quem vai circular nas dependências do picadeiro e corredores. Depois, é a vez dos totens de álcool em gel. 

Dentro do circo, os protocolos seguem com o mesmo rigor. A coordenação optou por ampliar o distanciamento social entre os espectadores deixando uma fileira de cadeiras livres e outra ocupada por membros da mesma família. A lona que envolve o circo foi retirada para melhorar o fluxo de ventilação, dando mais segurança ao público. 

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Legenda: Palhaços não interagem com a plateia como antes da pandemia
Foto: Natinho Rodrigues

Artisticamente, a maior mudança durante as apresentações foi a interação de quem assiste ao espetáculo com os artistas. O número dos palhaços, atração que costumava ter o maior contato com os espectadores, não conta mais com as mesmas ações. “Eles brincavam com as crianças, apertavam mãos, entre outras atividades. Isso não acontece mais como antes. É tudo de longe”, conta Bryan Stevanovich. 

Outra mudança acontece também ao fim do espetáculo. O público sempre tirava fotos ao lado dos acrobatas, palhaços e mágicos. Hoje, essa interação não existe mais. Para compensar e ainda possibilitar que essa memória seja guardada em fotografia, um espaço com distanciamento social foi criado para tirar selfies. 

Retomada 

Mas não é só na plateia que a dinâmica mudou. A pandemia do coronavírus afetou também a rotina de ensaios dos artistas do Cirque Amar. O acrobata Bobi Zobo, 30, precisou intensificar os treinos devido ao tempo parado. Natural da Mongólia, ele reside no Brasil há cinco anos com os pais — ilusionistas nas apresentações circenses. “A gente estava treinando nesse tempo sem shows, mas o corpo deu uma esfriada. Estamos reforçando nossos ensaios”, comenta Bobi. 

Ele é da quarta geração de família circense que atua em circos pelo mundo. Já realizou apresentações por vários países da Europa. De toda a carreira, admite ter sido esse o momento mais crucial. “Nunca ficamos tanto tempo sem shows. No final do ano temos uma parada que acontece sempre, que são as férias, mas nunca tínhamos passado por isso”, diz. 

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Legenda: Público retoma a ida ao circo seguindo novos protocolos, mas sem perder a alegria no olhar
Foto: Natinho Rodrigues

Se os artistas estão felizes com a volta ao trabalho, o sentimento de alegria do retorno do circo é compartilhado também por quem faz da alegria no palco o combustível do próprio sorriso. Há sete anos, Solange Morais, 57, e a família assistem as apresentações circenses. “Tive uma depressão e me trouxeram ao circo. Descobri muita alegria e, desde então, venho tendo essa relação boa com todos”, diz a espectadora. 

Fã do Cirque Amar, claro que ela esteve na estreia. O sentimento de saudade do picadeiro foi suprido no coração de Solange Morais ao rever os palhaços e ilusionistas. “Eles cumprem toda as regras impostas nos decretos estaduais contra o coronavírus. A pandemia é uma realidade e precisamos tomar cuidado. Fiquei feliz com o retorno deles, sei o quanto estavam precisando trabalhar”, ressalta a fã. Tal qual faz Solange, que se encanta a cada número há tanto anos, a arte circense sobrevive com o apoio de quem acredita no valor do riso e do encantamento como força propulsora para encarar a nova rotina. 


Serviço
Cirque Amar 
Quinta e sexta-feira : 20h30. Sábados, domingos e feriados às 16h, 18h e 20h30 (Avenida Washington Soares, número 1.000, em frente ao Centro de Eventos do Ceará). Contato: (85) 99848.9293 

 

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