Amelinha homenageia Belchior no Teatro Via Sul

Cantora adentra o universo poético e sonoro do amigo. Show celebra o repertório em “De primeira grandeza – As canções de Belchior” e Amelinha comenta o interesse de uma nova geração pela música cearense dos anos 1970

Legenda: Os músicos Caio Lopes (bateria), Fabá Jimenez (guitarra e violão) e Ricardo Prado (teclado, baixo e sanfona) acompanham a cantora
Foto: Marcelo Tabach

A noite do próximo domingo (20) em Fortaleza será marcada pelo reencontro. Às 20h, o palco do Theatro Via Sul será iluminado pela história de amizade entre Amelinha e Belchior (1946-2017). Em única apresentação na Capital, a cantora revisa a poesia e melodia do compositor no show “De primeira grandeza – As canções de Belchior”. A apresentação remete diretamente ao repertório do disco homônimo lançado em 2017. 

Após uma série de concertos pelo País, nos quais celebrou 40 anos de carreira, a intérprete de sucessos como “Frevo Mulher” adentra mais uma vez o universo de canções criadas pelo parceiro de longa data. A última passagem pelo Ceará rendeu o show gratuito de abertura do “IX Encontro Sesc Povos do Mar”. Agora, a ideia é consolidar emoção e intimismo ao espaço do teatro. 

Para concretizar o feito, a volta de Amelinha reafirma a presença de um time bastante atuante nos últimos tempos. As gravações do álbum dedicado à obra de Belchior ocorreram no estúdio Canto da Coruja, em Piracaia, interior de SP. A produção foi de Thiago Marques Luiz, nome também presente nos créditos de “Janelas do Brasil” (2012).

A direção musical do disco é de Estevan Sincovitz, que também assina o desenvolvimento cênico do show de domingo. Os músicos Caio Lopes (bateria), Fabá Jimenez (guitarra e violão) e Ricardo Prado (teclado, baixo e sanfona) estão no disco e acompanham Amelinha na interpretação de composições consideradas clássicos na MPB. 

A cantora cearense debutou no mercado fonográfico com o álbum “Flor da paisagem” (1977). A carreira prosseguiu com mais 14 registros, entre eles “Frevo mulher” (1978), “Porta secreta” (1980) e “Mulher nova, bonita e carinhosa faz o homem gemer sem sentir dor” (1982). Com “Ednardo - Amelinha - Belchior - Pessoal do Ceará” (2002) consolidou a marca de uma geração e efetivou o encontro musical com os conterrâneos. 

Grandeza

O próprio Belchior pediu que Amelinha abraçasse a ideia de regravar uma cria dele. “De primeira grandeza” foi lançada na voz do autor e cantor no álbum “Melodrama” (1987). O convite foi realizado por volta de 1996. Após encontrar Bel nos bastidores de uma emissora de TV em São Paulo, ouviu do colega o convite. 
A chance poderia ter ocorrido em 2000, momento em que a dupla gravou ao lado de Ednardo e o “Pessoal do Ceará”. Infelizmente, o desejo do amigo foi concretizado apenas postumamente.

Legenda: Após espetáculo de setembro no “Povos do Mar”, cearense volta a Fortaleza para apresentar o disco feito em homenagem ao parceiro
Foto: Marcelo Tabach

Amelinha deu voz às canções “A palo seco” (1973), “Alucinação” (1976), “Comentário a respeito de John” (1979), “Incêndio” (Belchior e Petrúcio Maia, 1980), “Mucuripe” (1972), “Na hora do almoço” (1971), “Paralelas” (1975), “Passeio” (1974), “Princesa do meu lugar” (1980) e, claro, “De primeira grandeza” (1987).

Durante conversa ao Verso, Amelinha exaltou a descoberta e interesse de um público mais jovem pela arte musical originada nos anos 1970 do Ceará. Passado e presente se cruzam e a cantora explicou que terminado o luto, o momento é de festejar a poesia do amigo. Uma festa única, capaz de unir Fortaleza, Belchior e o jeito irresistível de Amelinha cantar a vida. 

Entrevista completa

Verso - O último encontro com o Ceará foi no "Encontro Sesc Povos do Mar". Como você avalia a noite de apresentação e qual o sentimento de apresentar trabalhos seus e as leituras de "De primeira grandeza - As canções de Belchior" (2017)?

Amelinha - Foi uma noite mágica, intensa de emoções ardentes por parte dos corações da plateia linda. Noite muito energética e achei muito interessante fazer parte neste evento onde recebi tanto carinho, presentes, inclusive uma camisa com o rosto do Bel que não abri na hora, pois não sabia do que se tratava e podia quebrar o ritmo do show. E era show de galera, que é bem diferente da dinâmica de um teatro onde tudo é mais previsível. Poder ouvir o som do maracatu foi incrível para mim, pensei na minha infância quando eles ensaiavam na frente da casa de minha vó Amelia na Praça da Bandeira. Foi show. 

Além da plateia linda, como sempre tem acontecido, super interessados na nossa geração. Muitos jovens e foi realmente espetacular encontrar amigos que estiveram sempre comigo no começo da minha carreira, tipo Ricardo Bezerra e Bete Dias que articularam e produziram meu primeiro show em Fortaleza no teatro do IBEU, Eugênia Maia que produziu meu musical para o Programa Fantástico da música "Romance da Lua Lua" gravado no Cumbuco. Muitas emoções e os organizadores do SESC sempre no padrão de alta qualidade e muita fineza, muita elegância no tratar e isso chama-se cultura.

V - A expectativa da volta a Fortaleza se concretiza dia 20, com o show no Theatro Via Sul. A caracaterística mais intimista do espaço, um teatro, interfere na direção musical? Qual a perspectiva dessa noite?

Então, no Theatro Via Sul a onda é outra, outra dinâmica de exibição do espetáculo, embora nós atuarmos de forma a deixar a plateia descontraída. Pra ficar leve e prazeiroso estar lá, passarmos aquela hora reunidos e dessa vez em torno das músicas do Belchior e seus parceiros. Também cantando alguns dos meus sucessos que as pessoas mais amam. Será uma noite calorosa de amor entre amigos.

V - Você adentrar a poesia de Belchior e concretizou releituras pontuais no disco. Como é poder cantar essa mensagem para uma nova geração que se interessa cada vez mais pela obra do Pessoal do Ceará?

A - E finalizando, repito que me faz bem, me faz feliz até pela missão que tenho de cantar, estar entre os artistas escolhidos por uma nova geração que revisita com curiosidade e fascínio as músicas, os artistas da década de setenta. É muito show também poder estar atravessando a idade, com serenidade e muito amor no coração. Nossa que lua que vi agora. Aí deve estar esplendida. E pela intimidade que a amizade nos permite tem sido emocionante cantar as músicas do Bel por onde passamos. Sempre momentos lindos e inesquecíveis. 

Serviço
Amelinha em “De primeira grandeza – As canções de Belchior”. Domingo (20), às 20h, no Theatro Via Sul Fortaleza (Av. Washington Soares, 4335, Edson Queiroz). 
Ingressos: R$ 80/R$ 40 (mezanino e plateia). Contato: (85) 3099.1290

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