A experiência de passar uma manhã no bairro de Itapuã, em Salvador (BA)

Em uma hora é possível visitar a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Farol e a Sereia de Itapuã. A orla oferece cultura e arte em diferentes trechos

Legenda: Da Igreja à Colônia, os pescadores são principais envolvidos na construção do bairro de Itapuã
Foto: João Lima Neto

Em meio à previsão de chuva em Salvador, no bairro de Itapuã, o sol brilhava. Mesmo com o alerta de precipitação recebido no smartphone, resolvi conhecer a região. No ar, a calmaria, pelo menos na manhã da quarta-feira em que visitamos. Sim, os versos da canção "Tarde em Itapuã", de Vinicius de Moraes, revelam bem a energia do ambiente.

No século XVII, a região era uma armação baleeira - local usado para pescar. Mais tarde, por volta dos anos 1960, virou moda, se tornou uma das praias mais visitadas da cidade. Itapuã chegou a ser cenário do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e também a casa do dramaturgo, poeta e letrista Vinicius de Moraes e do compositor Dorival Caymmi. Vinicius compôs, com seu parceiro Toquinho, algumas canções memoráveis sobre a Bahia, bem como o famoso hino "Tarde em Itapuã". Vinicius (1913-1980) morou em Itapuã no início dos anos 1970, com sua amada e atriz baiana Gessy Gesse. Na atualidade, a residência do casal funciona como memorial, hotel e restaurante.

Como na música, busquei beber uma água de coco em Itapuã. Bares, quiosques e restaurantes possuem a iguaria em quantidade que é comercializada entre R$5 a R$10. Sem falar das outras opções deliciosas: peixe, camarão e caranguejo.

Semelhante a algumas cidades do interior, as fachadas dos estabelecimentos comerciais contemplam o nome do bairro: Pet Shop Itapuã, Churrascaria Itapuã, Hotel Itapuã, entre outros empreendimentos. É organizado e silencioso, pelo menos no trecho da orla. Trânsito? Não vi.

A Orla abriga ainda a Colônia de Pescadores e Aquicultores Z06 de Itapuã. Na espera pela saída e chegada de embarcações pesqueiras, os nativos aguardam jogando dominó e baralho na área dedica às embarcações.

Ao som de arrocha e seresta, os pescadores riem, bebem e conversam. Um ambiente típico na Bahia e também no Ceará, ao visitar o Mercado dos Peixes, na Praia do Mucuripe, por exemplo. Abrigados em uma plataforma para receber os barcos, é no sol e com os pés no mar que eles se agrupam em maior número.

A orla, que no passado era uma faixa de areia, hoje divide espaço com coqueiros, ciclovias, semáforos e estacionamentos. Toda por igual e devidamente sinalizada para quem chega pela primeira vez à região.

Perdido? Não tem problema. Ao pedir informação em locais públicos, os baianos que nos atenderam foram alegres e engraçados - hospitalidade típica do povo nordestino, além do bom humor.

O sotaque, na voz forte e arrastada do baiano, deixa qualquer prosa com os nativos mais interessante. Sim, o turista encontrará pessoas vendendo amendoim assado, queijo e produtos para descolorir os pelos do corpo.

Memória

A arte e a história são encontradas juntas nos corredores principais da orla. Na Rua Engenheiro Aristides Milton, principal corredor da região, são vistos vários pontos turísticos. Os guias estão sempre presentes, mas sem fazer pressão aos turistas para fazer pacotes.

Legenda: Na semana, o número de pessoas nos pontos visitados é menor, como a Igreja de Nossa Senhora da Conceição
Foto: João Lima Neto

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã é ponto de parada obrigatória. De arquitetura simples, ela foi fundada por pescadores, no século XVII, por volta de 1625, inicialmente, era de palha. Em 1646, foi erguida em alvenaria. É o principal centro da "Festa de Itapuã", realizada 15 dias antes do Carnaval.

Em frente à Igreja, fica a Praça Dorival Caymmi, em homenagem ao cantor, compositor, violonista, pintor e ator brasileiro - dono de centenas de composições, como "O que é que a baiana tem?", cantada por Carmen Miranda em 1939.

Legenda: Farol de Itapuã, mantido pela Marinha do Brasil
Foto: João Lima Neto

O farol de Itapuã ou farol da Ponta de Itapuã é ponto bastante visitado na região. De ferro fundido com 21 metros, o material é firmado em uma base de concreto e ligada à praia por uma ponte também de concreto.

O farol é pintado com barras horizontais brancas e vermelhas. Tentamos saber com moradores se estava em funcionamento durante a noite, mas não souberam responder.

Legenda: Sereia de Itapuã, escultura produzida pelo artista plástico baiano Mário Cravo Jr
Foto: João Lima Neto

Outro ponto que chama atenção, principalmente de criança, é a "Sereia de Itapuã". Uma escultura produzida pelo artista plástico baiano Mário Cravo Jr. Que representa Iemanjá. Foi inaugurada em 1959, na entrada de Itapuã. É um monumento em homenagem aos pescadores, com cerca de 1,5 m, feito de ferro batido e assentado em granito.

Em meio à rotina louca das grandes cidades, como Salvador, o bairro de Itapuã é uma fuga da vida agitada. Poucos carros, área sem grandes prédios. O céu e o sol são quem ressaltam o visual da orla.

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