Opinião: A importância de cuidar da saúde mental em tempos incertos

Confira artigo da professora Hercilia Correia Cordeiro, da Universidade de Fortaleza

O que podemos entender por saúde mental? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o conceito de "saúde" vai além de uma ausência de doenças, mas sendo um estado completo de bem-estar físico, mental e social. Diante disso, como poderíamos alcançá-la?

Se considerarmos que viver é enfrentar cotidianamente variáveis internas, emocionais, e externas, sejam elas sociais, econômicas ou ambientais, será que poderíamos pensar em uma completude? 

Esse estado remete a uma condição daquilo que se apresenta de modo absoluto e pode ter como sinônimo a palavra perfeição. Nesse sentido, como sermos humanos e mantermos um estado de plenitude? 

Segundo o filósofo André Comte-Sponville, “a vida nada mais seria que um processo ininterrupto de mudança". Logo, a transformação estaria sempre acontecendo. O próprio tempo não é fixo e deveríamos compreender que esse "tempo" passa e que a sua passagem, independente de circunstâncias, pacíficas ou obscuras, nos afeta. 

Assim, tudo que agora existe vai desaparecer porque até mesmo a própria vida tem começo, meio e fim. Dessa forma, a vida é um processo de existir e a importância do autocuidado está no crescimento e no desenvolvimento humano. 

O autoconhecimento pode ser um processo de consciência de nossas ações, reações, atitudes, conflitos e medos. Mas conhecer a si mesmo é diferente de cuidar de si, pois esse é mais prático e nos convoca a examinar nossas ideias e nossos sonhos, para que medos ou angústias possam ser enfrentados. 

Nesse processo, podemos aprender a amar e a sofrer, assim como podemos aprender como as coisas se transformam e como nos transformamos nas relações. 

Em consequência das implicações do cenário atual, e especialmente diante da complexidade do Covid-19, a humanidade tem revisto seus papéis sociais e econômicos de forma que novas exigências, esforços e mecanismos de enfrentamentos possam convergir para um equilíbrio mental. 

Considerando o distanciamento social, e em especial no Brasil, esse novo cotidiano pode ser repensado a partir dos diferentes modos de vida, culturas locais e classes sociais, partindo da premissa que o bem-estar deve fazer sentindo para quem o procura. Para tanto, o interditado no mundo real pode ser redirecionado ao mundo interno e novas atividades, costumes, práticas, entretenimentos e até mesmo, rearranjos profissionais e empreendedores, possam emergir na busca por uma diligência pessoal mais coerente e sustentável. 

Portanto, o cuidado deve ser uma constante na vida do indivíduo, que compreende a importância da sua saúde mental e estar cuidando da sua subjetividade juntamente com a sua condição física e social; desprendido de tempos certos ou incertos, de âmbitos pessoais ou profissionais, de contextos pandêmicos ou catastróficos, especialmente se considerarmos que a verdade do autocuidado está na própria experiência de existir. 

Hercilia Correia Cordeiro

(CRP 13010) 

Mãe, mestranda na linha de pesquisa Organização e Sociedade e estudante de Arte e Psicanálise. Formada em Administração e Psicologia, pesquisa e leciona na Universidade de Fortaleza no curso de Administração. Atua na clínica onde o sofrimento e a angústia são o caminho para o encontro de si e a possibilidade de ser.

 

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