Bombeiros resgatam homem de vão de fachada de 15º andar de prédio durante incêndio em Pernambuco

Jovem de 22 anos acordou com fumaça e se escondeu no local por achar que era "a única solução" para não morrer queimado

Jovem Marcelo Oliveira, vítima de incêndio em Pernambuco
Legenda: Após acordar por causa do calor, Marcelo Oliveira percebeu que o quarto estava cheio de fumaça.
Foto: reprodução/TV Globo

O jovem Marcelo Oliveira, de 22 anos, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros após inalar fumaça em um incêndio que atingiu um apartamento em Recife, Pernambuco, nesse domingo (18). O homem entrou em um vão da fachada do edifício, no 15º andar, para se proteger das chamas e foi retirado do local pela caixa do ar-condicionado. As informações são do portal G1.

O caso ocorreu no condomínio do Edifício Caleche, na Rua da Angustura, 155, no bairro dos Aflitos pouco depois das 7h do domingo. Imagens mostram a vítima deitada em uma espécie de marquise localizada em um vão entre andares da fachada do edifício. O incêndio, cuja causa ainda é desconhecida, alastrou-se por três cômodos do imóvel.

"O intuito nem era subir onde eu estava, que era na marquise, era me jogar ou morrer queimado", afirmou a vítima, que pensou na ação como "a única solução", mesmo com a possibilidade de cair para o outro lado.

O estudante de curso Técnico em Enfermagem relatou que acordou sentindo muito calor. Ao abrir os olhos, percebeu que o quarto estava cheio de fumaça. Ele estava sozinho em casa — a mãe tinha saído cedo para ir à igreja.

"Pensei que ela estava dentro de casa, tinha caído, inalado fumaça. Quando vi que ninguém respondeu, voltei para o meu quarto, que já estava pegando fogo", relembrou Marcelo. Em seguida, ele empurrou a janela, que estava "bem quente", chegando a se queimar antes de se pendurar.

Imagens mostram resgate

Em determinado momento, é possível ver o grupo de bombeiros puxando o homem para dentro do apartamento por meio da caixa do ar-condicionado. O capitão dos bombeiros, Erivelton Alves Bezerra, um dos agentes que participaram do resgate, afimou que o jovem estava preso a cerca de 50 metros do chão.

Após receber a informação de que havia alguém no apartamento, a equipe foi ao local para procurar a pessoa e combater o incêndio. "Não encontramos nada no apartamento, até que moradores de outros prédios começaram a apontar. Na posição que ele estava, não tinha como a gente ver. Ele estava em estado de choque e não conseguia sequer gritar", relatou o capitão, acrescentando que o grupo pediu que ele "não se mexesse nem se apavorasse".

Conforme os bombeiros, o rapaz saiu por uma janela do apartamento e escalou o prédio até o vão, no qual estão instaladas as condensadoras de ar-condicionado. A equipe teve de quebrar o gesso de uma abertura para fazer o resgate.

"Quando seguramos na mão dele, sabíamos que, ali, ele já estava salvo. Ele estava dormindo e, quando acordou, o apartamento já estava com muita fumaça. A única saída foi a janela", pontuou o capitão da equipe, incluindo que "uma pessoa em sã consciência não conseguiria fazer o que ele fez". "Mas existe a adrenalina, o medo", ressaltou.

Vizinhos tentaram acalmar a vítima

Moradores de prédios vizinhos ao Edifício Caleche tentaram acalmar Marcelo a distância enquanto o Corpo de Bombeiros chegava para a ocorrência. Uma vizinha pensou até que estava ocorrendo um assalto no local ao ouvir os gritos do jovem.

"O pessoal do outro prédio falava ‘calma, não se jogue’ e pedia para que eu não dormisse porque, como eu estava muito nervoso, podia desmaiar e cair do outro lado. O local em que eu estava era bem estreito", afirmou o jovem, indicando que haviam passado 40 minutos até a chegada dos bombeiros.

Após ser retirado, Marcelo, ainda nervoso, perguntou pela mãe, e soube que não havia ninguém no apartamento, já consumido pelas chamas. "Quando eu já estava dentro da ambulância, minha mãe entrou no desespero, pensou que eu tinha morrido queimado. Meu coração se acalmou e comecei a chorar", relembrou.