Universitário que furou fila de vacinação contra Covid-19 pagará R$ 15 mil na Paraíba

O estudante de medicina Daniel Freire de Medeiros é filho do secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros

Arnaldo Medeiros
Legenda: Uma das funções do pai do estudante na pasta é acompanhar e coordenar a compra de vacinas para a Covid-19
Foto: reprodução

Um universitário apontado como "fura-fila" da vacinação contra a Covid-19 em João Pessoa, Paraíba, terá que pagar R$ 15 mil à União. O estudante de medicina Daniel Freire de Medeiros é filho do secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros. As informações são do portal Uol

Conforme as investigações do Ministério Público, o jovem tomou a primeira dose do imunizante da AstraZeneca no final de janeiro deste ano, período em que os principais grupos estavam sendo vacinados.

O estudante assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), nesta quarta-feira (25), com o Ministério Público Federal (MPF) e com o Ministério Público da Paraíba (MPE-PB). Ele se comprometeu a pagar o valor pedido aos cofres públicos. No entanto, o documento não significa que o universitário assumiu que driblou o Plano Nacional de Imunização (PNI), na verdade, configura como uma espécie de "correção moral". 

Na época em que foi vacinado, o universitário cursava o oitavo período do curso de medicina. Quando o fato se tornou público, ele afirmou que não houve irregularidade, pois era estagiário em um hospital da capital paraibana, o que, segundo o jovem, o habilitaria a receber o imunizante em janeiro. No entanto, os demais estudantes da área da saúde só foram vacinados quatro meses depois, em maio. 

Conforme o TAC, Medeiros se comprometeu a destinar a quantia de R$ 15 mil para hospitais públicos de João Pessoa que atendem pacientes com Covid-19. Os hospitais serão indicados pelo Ministério Público. 

Um servidor público da Paraíba, também apontado como "fura-fila", deverá desembolsar R$ 8 mil para um hospital de referência no tratamento de doenças infectocontagiosas no Estado. Ele não teve a identidade divulgada. 

O caso

O episódio de Daniel de Medeiros foi divulgado pelo jornal Estadão, em maio. Na época, ele disse que desde janeiro, início da vacinação, estudantes de medicina estavam sendo imunizados contra o novo coronavírus em João Pessoa. No entanto, a reportagem apurou que os estudantes mencionados pelo universitário já estavam no estágio de internato, o que não era o caso dele.

Medeiros disse ainda que por fazer estágio voluntário, não remunerado, no Hospital São Vicente de Paulo, e se expor ao contato com o vírus, justificaria a prioridade na vacinação. Segundo ele, entre as funções que desempenhava, o trato com pacientes infectados com Covid-19 era uma delas, o que demandaria que ele fosse imunizado. 

Ainda conforme a reportagem, a vacinação do universitário veio a público graças ao próprio, que comentou com colegas do curso que já havia recebido o fármaco. 

Em maio, a instituição de ensino de Medeiros encaminhou à Secretaria de Saúde do município a relação com alunos aptos a serem vacinados segundo as regras — inclusive ele. Porém, ele foi o único a se imunizar em janeiro, segundo o Portal da Transparência.

O diretor do hospital, o médico George Guedes Pereira disse, na época, que o universitário "acompanha e auxilia em cirurgias, e também atende pacientes com covid, de tal forma que foi oferecida a ele a cobertura vacinal". O gestor também afirmou que poucos estagiários voluntários como Daniel se dispuseram a continuar no trabalho após o início da pandemia.

"Os que estavam em estágio e que solicitaram (a vacinação) foram sim (vacinados)", disse ele, sem informar qual o número de pessoas que foram vacinadas na mesma situação do filho do secretário. Pereira ainda afirmou que o Estadão era "um lixo", "uma porcaria" e que seus jornalistas eram "doutrinadores de esquerda".