"Poderia ter sido muito pior, uma tragédia maior", diz filho de mulher morta em acidente de catamarã

Nenhum dos ocupantes da embarcação  que virou estava com coletes salva-vidas. Tarcísio Gomes da Silva afirma que o barco não colidiu e que, de repente, a água tomou conta do catamarã

Legenda: Lucimar Gomes da Silva (esquerda) e Maria de Fátima Façanha da Silva (direita) se afogaram no acidente.
Foto: Foto: Reprodução

O acidente envolvendo um grupo de 50 turistas do Ceará na Praia de Maragogi (Alagoas) que deixou duas mulheres mortas poderia ter sido ainda mais grave. Nenhum dos ocupantes da embarcação Tô a Tôa, que virou no mar, estava com coletes salva-vidas. É o que afirma o empresário Tarcísio Gomes da Silva, proprietário da Simbora Vip Tour, empresa cearense responsável pela excursão.

Tarcísio garantiu que não foi disponibilizado o equipamento de segurança para nenhum integrante pela empresa Maragales, empresa que responde pela Tô à Toa. "Foi tudo muito rápido. Estava todo mundo feliz. De repente, começou a entrar água no barco. Não teve pedra. Não bateu em nada. Até agora estou me perguntando como isso aconteceu", contou Tarcísio, que  também é filho de Lucimar Gomes da Silva, 69 anos, morta do acidente.

Legenda: Duas cearenses morreram em acidente com catamarã na Praia de Maragogi, em Alagoas
Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

"Poderia ter sido muito pior, uma tragédia maior. Tinham seis crianças, quatro pessoas que não sabiam nadar. Foi Deus", disse, emocionado. "A gente tentou salvar as crianças e as quatro pessoas que não sabiam nadar. Quando o socorro chegou, colocamos os coletes. Quando contamos as pessoas, vimos que minha mãe  e dona Fátima não estavam. Elas morreram afogadas".

Tarcísio rebate a informação repassada pelo Corpo de Bombeiros de Alagoas de que o catamarã teria colidido com pedras antes de virar. As causas do acidente não foram divulgadas.

Passeios clandestinos

Conforme nota da Prefeitura de Maragogi, a embarcação estaria em um local de visitação não permitido e proprietário do catamarã que afundou já havia sido autuado em virtude de passeios clandestinos. "De forma reincidente, desobedecendo dispositivos legais, insistiu em prosseguir ignorando até mesmo o Ministério Público", diz a nota.

A Associação dos Proprietários de Catamarãs de Maragogi (APCM) também afirmou que a embarcação naufragada não possui autorização para o transporte de passageiros com destino às piscinas naturais, operando de forma clandestina. Tarcísio disse que não sabia que o receptivo estaria irregular e que é a segunda vez que contratava o serviço do catamarã.

A reportagem entrou em contato com a empresa Maragales, que realiza passeios para turistas e seria responsável pelo barco, por meio de um número de WhatsApp. Sem se identificar, a pessoa que atendeu a ligação informou que a empresa fechou, e os três barcos da frota foram vendidos a terceiros. Até o momento, não foi informado o nome do proprietário da embarcação. A Capitania dos Portos abriu inquérito para apurar causas e responsabilidades do acidente. 

A Prefeitura de Maragogi disponibilizou um veículo para a família se deslocar entre Maragogi e Porto de Galinhas, onde a excursão estava hospedada. Os corpos de Maria de Fátima Façanha da Silva, de 65 anos, e Lucimar Gomes da Silva, de 69 anos, foram levados para o IML de Alagoas. 

Alerta

Na última quinta-feira (25), a Capitania dos Portos de Alagoas emitiu um alerta de ressaca do mar até as 9h deste sábado (27), com  o indicativo de ondas de até 3 metros. Foi recomendado, ainda, que as embarcações de pequeno e médio porte evitassem navegar no mar e que as demais embarcações redobrassem a atenção "quanto ao material de salvatagem, estado geral dos motores e casco, bomba de esgoto do porão, equipamentos de rádio e demais itens de segurança". No entanto, conforme Tarcísio, os passageiros não sentiram nenhuma onda mais forte, nem vento.
 

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