Nelson Teich vai a Manaus neste domingo (3) para acompanha crise no sistema de saúde

A capital do Amazonas foi a cidade cujo sistema de saúde foi o primeiro a colapsar

Legenda: O ministro deve visitar Manaus, primeira capital a sofrer com colapso no sistema de saúde
Foto: Foto: AFP

O ministro da Saúde, Nelson Teich, informou que vai visitar Manaus neste domingo (3) para acompanhar o enfrentamento da pandemia. A capital do Amazonas registra 3.658 casos e 368 mortes causadas pelo novo coronavírus. "Neste domingo, embarco para Manaus para acompanhar de perto a situação do atendimento a população do Amazonas. Estamos juntos no combate ao Covid-19, com o Governo do Estado e do Município", publicou Teich no Twitter.

O ministro, após ser cobrado pelos estados, fez na quarta-feira (29) a primeira reunião com conselhos de secretários estaduais e municipais de Saúde. Agora visita a cidade cujo sistema de saúde foi o primeiro a colapsar no país.

Manaus também já começou a realizar enterros em valas coletivas, após os óbitos terem crescido 179,5% no mês de abril em comparação com o mesmo período do ano passado.

Apesar disso, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) anunciou na quinta-feira (30) um plano de reabertura escalonada do comércio não essencial em Manaus para daqui a duas semanas. No estado, são 6.062 casos confirmados e 501 mortes.

Recuo

Duas semanas após assumir o cargo,  Teich já dá sinais de mudanças no discurso. Entre as razões, a pressão de congressistas, de governadores e dos próprios números da nova doença. Enquanto ainda frisa a intenção de ter novos parâmetros de combate à Covid-19, ele afirma agora que a pasta nunca mudou de posição sobre o distanciamento social. Teich diz ainda que eventual liberação de atividades econômicas não deverá ocorrer enquanto as curvas de casos e mortes estiverem em alta.

Ao mesmo tempo, tenta se ajustar às demandas de Bolsonaro. Uma das mudanças mais visíveis ocorreu no formato de divulgação dos dados da epidemia da Covid-19.  

Com a troca no comando, o ministério passou a dar força à divulgação de dados considerados positivos sobre a epidemia, como o total de recuperados e comparações com outros países em pior situação. Em contrapartida, retirou dados que traziam alerta para o avanço da doença. Um deles é a classificação da incidência de casos em estados e capitais em parâmetros de emergência, atenção e alerta. No lugar, a pasta tem divulgado apenas dois mapas que apontam áreas mais atingidas.

Balanço com a evolução do total de mortes por faixa etária e fatores de risco saiu de cena. Agora o ministério divulga gráficos com a data das mortes, na tentativa de mostrar que havia casos anteriores. A medida, no entanto, acabou por revelar outro ponto preocupante: o atraso no diagnóstico no país e o alto número de registros recentes.

O Ministério da Saúde disse, em nota, que, além dos dados diários passará a divulgar boletins semanais visando "realizar a interpretação da situação epidemiológica e reflexão sobre as evidências". A pasta afirmou ainda que tem colocado dados de incidências por estado e capitais em plataforma. Dados por capitais, porém, não estavam disponíveis até sexta.

Críticas
A demora na apresentação de medidas efetivas tem gerado críticas. Em carta enviada ao ministro na quinta-feira (30), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência cobrou plano e informações sobre leitos e respiradores.

"Se nada for feito nos próximos dias, os pronunciamentos do ministério se resumirão a informar o número de mortos", diz o documento subscrito por 60 entidades.  Enquanto é cobrado por respostas, o ministro tem derrapado em algumas propostas.

Só na quarta-feira (29), ao ser cobrado, fez a primeira reunião com conselhos de secretários estaduais e municipais de Saúde. Antes, as reuniões eram diárias.
"Houve um lapso entre a saída de um ministro e a posse do outro. Isso nos preocupava, sobretudo por estarmos trabalhando dentro da epidemia", disse Jurandi Frutuoso, secretário-executivo do Conass (secretários estaduais).


 

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