Fiocruz negocia com laboratório americano fabricação de pílula molnupiravi para tratamento de Covid

Tratativas para "definir a melhor forma de acesso" da pílula estão em ritmo avançado, segundo a Fundação

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Legenda: Farmacêutica apontou que o medicamento é seguro contra todas as variantes, mas não substitui a vacinação
Foto: Handout / Merck & Co,Inc./AFP

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, "está em conversas avançadas" com o laboratório americano Merck Sharp & Dohme (MSD) para produzir no Brasil a pílula molnupiravir, que reduz em cerca de 50% a hospitalização dos pacientes adultos com risco de avançar à fase grave da Covid-19.

As trativas entre as duas partes irão "definir a melhor forma de acesso à população brasileira e um modelo de cooperação técnica", complementou a Fiocruz. 

No entanto, ainda não há uma definição do Ministério da Saúde quanto à distribuição da pílula no Sistema Único de Saúde (SUS), já que a Pasta aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial ou definitivo do medicamento. 

Após o parecer do órgão regulador, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) avaliará se o molnupiravir será distribuído na rede pública. 

"Com base nos dados de sequenciamento viral disponíveis (aproximadamente 40% dos participantes), molnupiravir demonstrou eficácia consistente nas variantes virais gama, delta e mu", reforçou a Fiocruz sobre o estudo que está sendo conduzido no Brasil. 

Uso emergencial nos EUA

O MSD anunciou, na última segunda-feira (11), ter solicitado autorização de uso emergencial nos Estados Unidos do molnupiravir, "um medicamento antiviral oral experimental, para o tratamento de Covid-19 de leve a moderada em adultos que estejam em risco de avançar para covid-19 grave e/ou internação", disse a empresa. 

O laboratório acrescentou que trabalha "com agências reguladoras do todo mundo para submeter solicitações de uso emergencial, ou autorização de comercialização, nos próximos meses".

Wendy Holman, CEO da Ridgeback Biotherapeutics, parceira da MSD, considerou o pedido "um passo fundamental para tornar o molnupiravir disponível para pessoas que podem se beneficiar de um medicamento antiviral oral que possa ser tomado em casa, logo após o diagnóstico da covid-19".

Ensaio Clínico

MSD e Ridgeback conduziram um ensaio clínico entre cerca de 770 pacientes. Deste universo, em torno de metade recebeu um tratamento de cinco dias da pílula, e o restante, um placebo. Todos os pacientes tinham Covid-19 com sintomas que se desenvolveram nos cinco dias seguintes à designação para os respectivos grupos. 

Dos pacientes que receberam molnupiravir, 7,3% foram hospitalizados, em comparação com 14,1% daqueles que receberam placebo, representando uma redução do risco relativo de cerca de 50%.

Não houve mortes entre aqueles tratados com molnupiravir, em comparação com oito, no segundo grupo. Os resultados foram convincentes o suficiente para que um comitê independente de supervisão de dados, em consulta com a reguladora americana FDA decidisse interromper o estudo prematuramente.

As empresas afirmaram que a eficácia é a mesma contra todas as variantes, inclusive a Delta, mais contagiosa, e que o medicamento é seguro. 

Especialistas ressaltam, porém, que não é uma cura milagrosa. Deve complementar as vacinas, não substituí-las.

Os antivirais, como o molnupiravir, atuam reduzindo a capacidade de reprodução do vírus, o que desacelera a doença. O uso desta droga pode ser duplo: tanto para evitar que os infectados apresentem sintomas graves, quanto para evitar que aqueles que estiveram em contato próximo desenvolvam a doença.

 

 

 

 

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