Drauzio Varella: 'vivemos um surto de varíola dos macacos, e o Brasil está reagindo devagar'

Em entrevista à Globo News, o médico disse que o Ministério da Saúde deveria 'lutar' pela vacina contra a doença

Dráuzio durante entrevista. Um idoso calvo e de camisa social azul
Legenda: O cancerologista falou sobre a origem da doença e as medidas necessárias a serem tomadas
Foto: Reprodução Globo News

O médico Drauzio Varella, um dos primeiros oncologistas brasileiros, avaliou que o Brasil está “reagindo devagar” para evitar o avanço do vírus monkeypox, conhecido como ‘varíola dos macacos’. Em entrevista à Globo News, neste sábado (30), o cancerologista enfatizou a necessidade de o Ministério da Saúde ‘lutar’ para vacinar a população contra a doença. 

"Nós estamos num surto epidêmico e acho que estamos, para variar, reagindo devagar", comparou com o início conturbado da imunização contra a pandemia de Covid-19. Nessa sexta-feira (29), foi confirmada primeira morte em decorrência da ‘varíola dos macacos’ no País.

No dia anterior (28), a doença havia sido reconhecida como surto após 1 mil casos confirmados. “No mundo inteiro, o número de casos está aumentando depressa. A OMS [Organização Mundial da Saúde] reconhece mais de 20 mil casos espalhados por mais de 75 países até agora”, enfatizou o médico. 

Drauzio acrescentou que o vírus “sempre existiu”, mas não recebeu a atenção devida das autoridades de saúde por um entendimento científico eurocêntrico. 

“A verdade é que essa doença sempre existiu na África. Aconteciam surtos na parte central do continente africano, a partir do Rio do Congo, onde tem a República Democrática do Congo, republica centro-africana, no oeste do continente, e na Nigéria, especialmente”, explicou. 

O médico apontou que, embora haja notificações nesses territórios, elas têm gravidades distintas, com taxa de mortalidade de 1% na Nigéria, e de 10% na bacia do Congo. 

“Sempre existiu lá, mas a Ciência nunca se preocupou, porque doença que só pega em preto ninguém dá bola, ninguém acha que é importante para a saúde mundial. Acontece que, no mundo atual, quando você tem um vírus que aparece numa região, ele se espalha pelo mundo, não tem como permanecer circunscrito”, analisou.
Dr. Drauzio Varella

“E, aí, ela começa a pegar gente branca, na Europa, nos Estados Unidos, chegar até aqui. Aí, a OMS despertou para essa ameaça, que é uma ameaça grave”, completou, exemplificando que o Brasil já notificou mais de 1 mil casos em apenas dois meses. 

“Nós estamos num surto epidêmico e acho que estamos, para variar, reagindo devagar", frisou a importância da imunização, necessitando de articulação para a aquisição de vacinas. 

Vacina

“O Ministério [da Saúde] tem que agir ativamente para conseguir vacina, as poucas que existem no mundo. E, como nós vimos para a Covid, nosso ministério não é muito ativo nessa área”, lembrou. 

"É importante que a gente tenha vacina, que o ministério lute, que o país use toda a pressão internacional que puder para conseguir vacinas contra a monkeypox", finalizou.

A previsão do órgão é de que os imunizantes cheguem até setembro próximo. Drauzio observou, contudo, que, do ponto de vista epidemiológico, seria ideal a imunização imediata das pessoas próximas às infectadas. 

 

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