Coronel da PM revela como se deu confronto que resultou na morte de Lázaro Barbosa

Uma das maiores caçadas policiais do país teve início há exatamente um ano

Lázaro Barbosa
Legenda: Há um ano, começavam as buscas por Lázaro Barbosa
Foto: Divulgação

Há exatamente um ano, começava uma longa caçada policial em busca de um dos criminosos mais procurados do país: Lázaro Barbosa, de 32 anos, suspeito de uma série de crimes no Distrito Federal e em Goiás, dentre eles o assassinato de quatro pessoas de uma mesma família. Após 20 dias de buscas que mobilizaram a união de forças de segurança pública, ele foi encontrado e morto numa troca de tiros com a polícia, em 28 de junho de 2021. 

No comando de uma equipe de oito PMs que cercou Lázaro, o tenente-coronel Edson Melo, de 39 anos, contou em entrevista ao jornal Correio Braziliense detalhes do confronto que resultou na morte do criminoso, ocorrida próximo a um córrego que faz a divisa entre Águas Lindas e o Distrito Federal.

As buscas por Lázaro foram um grande desafio para a polícia, já que ele se escondia facilmente em grutas, montanhas e córregos, por ter crescido em área de mata. A caçada foi intensa e fez com que alguns moradores de Águas Lindas, Cocalzinho e dos distritos de Edilândia e Girassol abandonassem suas casas por medo.

O tenente-coronel Edson era lotado na Superintendência de Segurança do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e contou ter pedido autorização a ele para participar da operação com uma equipe de oito policiais das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) de Goiânia.

Após ter o pedido aprovado, Edson e os demais policiais integraram o aparato de centenas de oficiais, no dia 17 de junho. "Eu estava incomodado sobre como as coisas estavam caminhando naquele momento. A polícia estava sendo massacrada, pela demora na captura e pela quantidade de policiais e o quanto aquilo custaria. Até que chegou um ponto que eu não conseguia mais dormir, então tomei uma decisão e reuni alguns colegas", destacou.

Ao chegaram a Cocalzinho, ainda conforme informações do jornal, optaram por sobrevoar a área em um helicóptero para conhecer e analisar os pontos em que Lázaro teria passado. No mesmo dia, o grupo entrou na mata e no dia seguinte, agentes da força-tarefa fecharam o cerco e montaram barreiras em estradas, por haver a suspeita de que o criminoso teria entrado em um chiqueiro em Girassol e fugido novamente para a vegetação.

Em quatro dias, segundo Edson, a equipe identificou vestígios deixados por Lázaro, como pegadas, materiais sujos de sangue, remédio e até agulha e seringa, sugerindo que ele estivesse ferido. 

Em 28 de junho de 2021, a equipe do tenente-coronel recebeu a informação de que, naquela madrugada, uma câmera de segurança havia registrado Lázaro saindo da mata e caminhando em uma rua, em Águas Lindas. "Pensei comigo mesmo: 'Nós vamos capturá-lo. Já tínhamos em prática o modus operandi dele e colocamos em prática. Não estávamos nos baseando em informações externas, mas no que havíamos identificado até então", detalhou.

Encontro com Lázaro

O comandante então preparou um ponto de emboscada em um local estratégico e dividiu as equipes em outros locais, para evitar situações de fuga. "Chegou um momento que precisei decidir para qual lado iríamos e, dentro da leitura do modo de agir dele, definimos seguir em uma direção. Eu me posicionei a cerca de 5km e cortamos o fio de arame da cerca para entrar com a viatura até determinado ponto do mato", revelou Edson.

Em menos de 10 minutos, um dos policiais avistou um vulto em uma área de difícil acesso, amontoada por pés de bambu e plantações altas, que dificultaram a visão dos policiais. Com a ordem para avançar, os agentes escutaram a frase: "Não vem que vou atirar na cabeça de vocês". Edson disse ter a certeza que se tratava de Lázaro Barbosa, a poucos metros da equipe. 

"Nós (policiais) fizemos um acordo e decidi: 'Verbalizar e atirar, vamos avançar e revidar a injusta agressão." Nesse exato momento, enquanto uma aeronave da Polícia Militar sobrevoava a área em direção a Brasília para abastecer, Lázaro se atordoou e se movimentou. "Quando olhei para frente, consegui ver a silhueta dele", diz o coronel.

Em uma distância de 8 metros, e com uma pistola e um revólver nas mãos, o criminoso efetuou diversos disparos contra os PMs. "Quando avançamos, percebemos que a agressão por parte dele havia cessado e entendemos que tínhamos neutralizado aquela ameaça. Logo percebemos que ele havia rastejado e caído ao lado dos pés de bambu", acrescentou. Durante o tiroteio, foram, ao menos, 125 tiros disparados pelos policiais. Mais de 60 acertaram Lázaro.

Lázaro foi encaminhado ainda com vida ao ponto que servia como base para as forças de segurança e, em seguida, levado ao hospital. Um vídeo gravado por testemunhas mostrou o momento da chegada do criminoso. Ele é retirado de dentro da viatura e colocado em uma ambulância.

Segundo o tenente-coronel, a ausência de sinal telefônico impediu o acionamento imediato do socorro ao local do confronto. "A sensação é de dever cumprido, de que tudo que fizemos, que passamos em treinamentos, foi colocado em prova e demos uma resposta à altura. As pessoas estavam sofrendo com isso. Sinto que fomos os responsáveis por restaurar a paz da população de Goiás", finalizou o policial.

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