Cirurgião que perdeu o pai para a Covid-19 vacina o filho em Curitiba: 'gratificante'

O encontro de pai e filho durante a vacinação foi de espontânea, já que a distribuição entre pacientes e aplicadores é aleatória

Cirurgião que perdeu o pai para a Covid-19 vacina o filho em Curitiba 'gratificante'
Legenda: Para Rogério, ter a oportunidade de vacinar o filho, Maurício, foi especial
Foto: Reprodução

Cinco meses depois de o pai do cirurgião-dentista Rogério do Amaral Ferreira ter morrido vítima da Covid-19, o profissional de saúde vivenciou um momento emocionante no sábado (21), quando aplicou no filho a vacina contra a doença, em Curitiba, no Paraná. As informações são do G1.

Rogério trabalha atua na Rede Municipal de Saúde e, aos fins de semana, ajuda na campanha de vacinação contra a enfermidade provocada pelo vírus.

Maurício, que tem 23 anos, contou que a expectativa para receber o imunizante estava alta. "O que eu mais queria era tomar a vacina e ter a vida de volta igual antes. Compartilhar o fim dessa espera tão longa com o meu pai foi lindo", disse o estudante.

Maurício revelou ter perguntado se havia como ele ser encaminhado para a tenda em que o pai estava atendendo, mas a responsável falou que o sistema escolhe isso de maneira automática.

"No fim das contas fui chamado para a tenda em que ele estava trabalhando. Quando cheguei lá estavam todos esperando. As pessoas começaram a aplaudir e falar 'Olha o filho do Dr. Rogério'. Foi emocionante", lembra.

Oportunidade especial

Para Rogério, ter a oportunidade de vacinar o filho foi especial. "É legal ver que essa faixa etária é muito engajada na campanha da vacinação, e ter a oportunidade de vacinar o meu filho foi bem gratificante", explica o cirurgião-dentista.

A imunização foi gravada e gerou repercussão nas redes sociais, motivo de surpresa para o profissional de saúde: "Eu nem imaginei que fosse dar tanta repercussão para uma coisa tão espontânea".

Em memória do avô

Para a família, a vacinação teve um peso ainda mais especial. Em março de 2021, Alceu, pai de Rogério e avô de Maurício, morreu depois de ter sido diagnosticado com Covid-19.

O idoso, de 87 anos, recebeu a primeira dose do imunizante, mas faleceu antes de completar o esquema vacinal.

O neto conta que a memória do avô esteve presente no momento que recebeu o imunobiológico. "No vídeo eu até falo para meu pai que o vô estava com muito orgulho da gente, que ele estava olhando tudo aquilo".

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