Caso Evandro: Governo do Paraná pede perdão a mulher condenada

Carta assinada pelo secretário estadual de Justiça, Ney Leprevost, diz que 'condenados no caso foram vítimas de torturas gravíssimas'

Beatriz Abagge com olhar triste
Legenda: Carta diz que Beatriz Abagge foi submetida a "sevícias indesculpáveis" pela máquina estatal
Foto: Reprodução/RPC

O Governo do Paraná escreveu uma carta pedindo desculpas oficialmente a Beatriz Abagge, uma das condenadas no caso do menino Evandro Ramos Caetano, morto no ano de 1992 em Guaratuba, no litoral do Paraná. As informações são do G1

Conforme o documento, com data de 4 de janeiro e assinado pelo secretário estadual de Justiça, Trabalho e Família, Ney Leprevost, Beatriz foi sofreu "sevícias indesculpáveis" à época da investigação do caso.

"Expresso meu veemente repúdio ao uso da máquina estatal para prática de qualquer tipo violência, e neste caso em especial contra o ser humano para obtenção de confissões e diante disto, é que peço, em nome do Estado do Paraná, perdão pelas sevícias indesculpáveis cometidas no passado contra a Senhora", diz trecho da carta.

carta
Legenda: "Que o Estado possa aprender com os possíveis erros do passado", diz secretário na carta
Foto: Reprodução/Governo do Paraná

"Práticas indefensáveis"

O secretário afirmou ainda que, após assistir a série documental 'O Caso Evandro', da Globoplay, e ter acesso ao relatório do grupo de estudo criado pela Secretaria de Justiça para identificar falhas na investigação,  ficou convicto de que Beatriz e "outros condenados no caso foram vítimas de torturas gravíssimas, as quais podem ser configuradas como crime e tais práticas são totalmente inaceitáveis e indefensáveis".

Ney Leprevost diz também que não tem "prerrogativa legal" para inocentar ou anular o julgamento que condenou Beatriz Abagge. Contudo, informou que enviará ao Poder Judiciário uma cópia da carta de perdão e do relatório final do grupo de estudos.

foto do menino Evandro sorrindo
Legenda: De acordo com a Polícia Militar, a criança foi morta em um ritual religioso
Foto: Reprodução/Globoplay

Ritual religioso

De acordo com a Polícia Militar, o menino Evandro, 6, foi morto em um ritual religioso encomendado por Celina e Beatriz Abagge, esposa e filha do então prefeito da cidade, Aldo Abagge, e os pais de santo Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula.

Os cinco confessaram a participação no crime, mas depois alegaram que foram torturados pelos agentes para admitir o ritual religioso.

Francisco Sergio Cristofolini e Airton Bardelli também foram acusados na época, mas foram absolvidos posteriormente.

Julgamentos

O Caso Evandro teve cinco julgamentos diferentes. Celina Abagge ficou presa por três anos e sete meses na Penitenciária Feminina do Paraná. Ela também cumpriu prisão domiciliar por mais dois anos. Já Beatriz ficou presa por cinco anos e nove meses.

Em 1998, um dos tribunais do júri foi o mais longo da história do Poder Judiciário do Brasil, totalizando 34 dias. À época, Celina e Beatriz foram inocentadas porque não houve a comprovação de que o corpo encontrado no matagal era mesmo da criança de sete anos.

Contudo, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) recorreu da decisão e, em 2011, um novo júri foi realizado. Beatriz foi condenada a 21 anos de prisão, e Celina não foi julgada porque, como já tinha mais de 70 anos, o crime já tinha prescrito.

Na época, os pais de santo Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula também foram condenados pelo sequestro e homicídio de Evandro Ramos Caetano.

 

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