Auditor suspeito de liderar esquema de propina da Ultrafarma era melhor aluno da turma no ITA
Artur Gomes da Silva Neto é acusado de arrecadar cerca de R$ 1 bilhão em propina e é descrito pelas autoridades como "gênio de crime"
O engenheiro Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de SP (Sefaz-SP) preso na terça-feira (12), é apontado pelos investigadores como líder do esquema bilionário de fraude tributária que envolvia empresas como Ultrafarma e Fast Shop.
Melhor aluno da turma na época que estudou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele é descrito pelas autoridades como "gênio do crime" e dominaria todas as etapas do esquema de propinas. As informações são do portal g1.
Além dele, outros cinco alvos da operação foram detidos, entre eles o dono da rede de farmácias Ultrafarma, Sidney Oliveira, e o diretor do grupo Fast Shop, Mario Otávio Gomes.
'Funcionário brilhante' e aluno premiado do ITA
Segundo os promotores do Ministério Público paulista, Artur foi apontado pelos demais servidores da Sefaz-SP como um "funcionário brilhante e inteligentíssimo".
A Globonews apurou que o engenheiro dava palestras para vestibulandos sobre como conseguiu ser aprovado no ITA, no Instituto Militar de Engenharia (IME) e no curso de Medicina na Universidade de São Paulo (USP).
Arthur relatava nessas ocasiões que se graduou engenheiro aeronáutico pelo ITA como primeiro aluno da turma. Na instituição, teria recebido o Prêmio Professor Rene Maria Vandaele, destinado aos discentes do último ano de graduação com melhor desempenho nas disciplinas dos Departamentos de Aerodinâmica e de Estruturas.
Na época, ele, inclusive, ganhou da empresa Embraer uma viagem aos Estados Unidos para visitar as principais companhias aeroespaciais e centros de pesquisas, incluindo a da agência espacial Nasa.
Conforme o portal da Transparência do governo de São Paulo, Artur recebeu um salário de R$ 33.781,06 em junho deste ano como auditor fiscal da Diretoria de Fiscalização (DIFIS).
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Como funcionava esquema bilionário
O auditor é suspeito de ser o "cérebro" do esquema de ressarcimento de crédito tributário que faturou cerca de R$ 1 bilhão em propina desde quando iniciou em 2021.
O crédito tributário é a quantia que um contribuinte tem direito a solicitar ressarcimento ao Estado por ter pago um valor a mais à Receita. No entanto, o processo é complexo e burocrático, e as empresas precisam enfrentar uma fila para conseguir acesso ao montante.
As investigações apontam que Arthur coletava a documentação necessária da Fast Shop e da Ultrafarma para solicitar o ressarcimento de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na Secretaria da Fazenda.
"Ele [Arthur] pedia e deferia o pedido que ele mesmo fazia. Ele ficava com o certificado da empresa. Então, era um ciclo completo", explicou o promotor Igor Volpato Bedone ao g1.
Em contrapartida, o suspeito recebia pagamentos mensais de propina. Desde 2021, quando começou a fraude, ele teria recebido cerca de R$ 1 bilhão.
"As empresas passaram a pagar centenas de milhões de reais para auditores para auxiliarem essas empresas a conseguirem ressarcimento de crédito de ICMS a que tinham direito na Secretaria da Fazenda", explicou o promotor João Ricupero ao veículo.
O MP não descarta que outras varejistas tenham participado da fraude. "O desafio é verificar se há outros auditores envolvidos na prática de corrupção", detalhou a autoridade.