Um ano após invasão do Capitólio, Biden acusa Trump de mentir e ser uma ameaça à democracia dos EUA

Em discurso na sede do Legislativo, em Washington, Biden disse que todos os envolvidos na invasão empunharam "um punhal na garganta" da nação

Biden em pronunciamento, ao lado de Kamala Harris
Legenda: Biden fez discurso no edifício do Capitólio, sede do Legislativo em Washington, junto à vice-presidente dos EUA, Kamala Harris
Foto: Getty Images via AFP

No primeiro aniversário dos eventos que culminaram na invasão do Congresso americano por apoiadores do ex-presidente Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, alertou hoje sobre os riscos à democracia e fez duras críticas ao antecessor.

Em discurso no edifício do Capitólio, sede do Legislativo dos EUA em Washington, Biden disse que os manifestantes que invadiram o local e as pessoas que os incitaram empunharam "um punhal na garganta" da nação. Para ele, os EUA precisam decidir que tipo de país desejam ser.

"Seremos uma nação que aceita a violência política como norma? Seremos uma nação onde permitiremos que os funcionários eleitorais partidários derrubem a vontade legalmente expressa do povo?", questionou. "Seremos uma nação que vive não à luz da verdade, mas à sombra das mentiras?", acrescentou.

O democrata buscou apresentar a situação como uma espécie de referendo sobre o sistema democrático. Na visão dele, governos como os de China e Rússia apostam no fim da democracia americana. Biden reiterou compromisso com a defesa das instituições. "Aqui nos EUA, o povo comanda através das urnas", destacou.

"Rede de mentiras"

Durante boa parte do pronunciamento, o presidente criticou Trump, o acusou de construir uma "rede de mentiras" sobre o sistema eleitoral e acrescentou que o republicano "valoriza o poder sobre princípios". Biden responsabilizou seu antecessor pelo ataque ao Congresso, que ele considera uma "insurreição", por não conseguir aceitar que perdeu a eleição.

"Pela primeira vez na história, um presidente não só perdeu uma eleição, mas também tentou impedir a pacífica transferência de poder", comentou. Para ele, o ex-presidente está distante dos valores americanos. "Estamos numa batalha pela alma dessa nação", disse.

Invasão há um ano

Há um ano, um grupo de apoiadores de Trump invadiu o prédio que sedia o Congresso americano com objetivo de interromper a sessão que certificaria a vitória de Biden nas eleições de novembro de 2020. Momentos antes, o líder republicano havia realizado um discurso público em que, sem provas, repetiu acusações de fraude no pleito.

Os eventos levaram a Câmara dos Representantes a aprovar o impeachment de Trump, que se tornou o primeiro presidente da história dos EUA a ser alvo do processo duas vezes. O Senado, no entanto, absolveu o político.

Ao longo dos últimos meses, democratas lideraram uma série de audiências na Câmara para investigar o episódio. Os republicanos dizem que os esforços representam uma tentativa do partido governista de politizar um evento trágico. Um policial morreu durante o ataque e pelo menos 140 ficaram feridos.

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