Pompeo diz que Soleimani preparava ação contra estadunidenses, mas não apresenta provas ou detalhes

Na manhã desta sexta-feira (3), um aeroporto em Bagdá, capital do Iraque, foi bombardeado pelos Estados Unidos a mando de Donald Trump. Entre os oito mortos, estava o general Qassim Soleimani, que liderava há mais de 20 anos a força Quds

Legenda: Iranianos seguram cartazes com imagens de Qasem Soleimani, em demonstração de revolta por seu assassinato
Foto: AFP

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou nesta sexta-feira (3) que o comandante militar iraniano Qasem Soleimani, morto em um bombardeio americano em Bagdá, planejava uma ação iminente que ameaçava a vidas de centenas de americanos.

"Estava ativamente tramando na região para tomar ações, uma ação importante, como ele mesmo descreveu, que teria colocado dezenas, ou centenas, de vidas americanas em perigo", disse Pompeo ao canal CNN. "Sabemos que era iminente", completou, sem revelar detalhes sobre a suposta operação planejada.

Entenda 

Na manhã desta sexta-feira (3), um aeroporto em Bagdá, capital do Iraque, foi bombardeado pelos Estados Unidos a mando de Donald Trump. Entre os oito mortos, estava o general Qassim Soleimani, que liderava há mais de 20 anos a força Quds, braço de elite da Guarda Revolucionária do Irã. Ele também era considerado pelo governo de seu país "a força mais efetiva no combate a Daesh (Estado Islâmico)".

Além dele, morreram no ataque Abu Mahdi al-Muhandis, chefe da milícia iraquiana Forças de Mobilização Popular (que tem apoio do Irã), e o porta-voz de grupo, Mohammed Ridha Jabri.

Segundo a imprensa internacional, o general iraniano tinha participado de encontros com líderes de milícias iraquianas no aeroporto. A capital do Irã, Teerã, tem aumentado sua influência no vizinho nos últimos anos.

Repercussão internacional

A ofensiva causou reação de líderes políticos, entre eles, países-membro do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), como China, Rússia e França. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, pediu "calma e contenção", principalmente aos Estados Unidos, para evitar "novas escaladas de tensões".

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, condenou o assassinato como "um passo aventureiro que levaria a tensões crescentes em toda a região". Já a França, por meio da vice-ministra de Relações Exteriores, Amelie de Montchalin, afirmou que "a escalada militar é sempre perigosa" e indicou que o presidente francês, Emmanuel Macron, tenta, nos bastidores, promover a reconciliação entre "todos os atores da região". 

O ministro das relações exteriores do Irã, Javad Zarif, foi além: classificou o ato dos Estados Unidos como "terrorismo internacional" e "extremamente perigoso e tolo", em sua conta no Twitter. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e seu presidente, Hassan Rohani, também condenaram o ataque como criminoso e prometeram retaliação.

A Guarda Revolucionária disse que o ato fortaleceu a determinação de vingança. "A breve alegria dos americanos e dos sionistas se transformará em luto", disse o porta-voz Ramezan Sharif na televisão estatal. 

Poucas horas após o ataque, os Estados Unidos recomendaram a seus cidadãos que deixem o Iraque "imediatamente", seja "de avião enquanto é possível", já que o bombardeio aconteceu no aeroporto de Bagdá, seja por via terrestre para outros países da região.

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