Polícia da Itália intercepta carta com balas de revólver 9mm enviada ao Papa Francisco

Correspondência foi enviada da França, mas não tinha remetente

Papa Francisco em primeiríssimo plano, inclinado
Legenda: Autoridades investigam se remetente constitui ameaça à integridade do Papa Francisco
Foto: Alberto Pizzioli/AFP

A Polícia da Itália interceptou, nesta segunda-feira (9), uma carta endereçada ao Papa Francisco com três balas de calibre nove milímetros (mm) em seu envelope. O material estava em um centro de triagem de Peschiera Borromeom, na província de Milão, e será alvo de investigação. As informações são do jornal O Globo.

Da França para o Papa Francisco

A agência italiana de notícias Adnkronos informou que a carta foi enviada da França, mas não tinha remetente. O envelope continha informações escritas com caneta esferográfica, as quais estavam quase ilegíveis — o trecho "Papa — Cidade do Vaticano, Praça de São Pedro, Roma." foi possível de ser identificado.

A assessoria de imprensa da força policial paramilitar dos Carabinieri em Milão informou, segundo a CNN, que a caligrafia do remetente era péssima. No momento, a Polícia analisa a carta e as balas — o intuito é determinar se o remetente constitui ameaça à integridade do Papa Francisco.

Segundo o jornal Corriere della Sera, a carta tinha uma mensagem acerca dos escândalos financeiros do Vaticano, citando julgamento iniciado na última semana contra vários réus. Entre eles, está o cardeal Ângelo Becciu, um dos mais influentes da Igreja Católica, apostado por muitos para o próximo conclave.

Conforme a lei da Igreja, Francisco aprovou pessoalmente que Becciu fosse investigado e indiciado.

Abuso de poder do cardeal

Cardeal Ângelo Becciu com roupa alaranjada do cargo
Legenda: Becciu virou o oficial do Baticano de mais alta patente a ser indiciado por crimes financeiros
Foto: Andreas Solaro/AFP

Em 2020, Ângelo Becciu foi demitido de suas funções e teve seus direitos cardinalícios suspensos. Contra ele, há cinco acusações de desvio de verbas, uma de abuso de poder e uma de indução de testemunha a cometimento de perjúrio. O cardeal se declara inocente.

Além dessas, há uma acusação de que ele priorizou companhias e instituições de caridade controladas por seus irmãos na Sardenha no momento da destinação de contratos e recursos da Santa Sé. A tentativa de o religioso de desmoralizar investigadores em declarações à imprensa italiana é um agravante contra ele.

A compra de um prédio de 17 mil metros quadrados de área interna em um distrito de alto padrão de Londres também está no centro do julgamento. A operação em torno do imóvel teria sido ordenada por Becciu em 2014, enquanto ele era o número dois da Secretaria de Estado do Vaticano.

O cardeal também era responsável, à época, pela administração do Óbolo de São Pedro, fundo milionário composto por doações de fiéis. A denúncia indica que Becciu usou dos recursos para financiar cerca de 45% da propriedade, cujo custo inicial era de 200 milhões de euros, cerca de R$ 1,22 bilhão.

O Vaticano investiu — e perdeu — cerca de 350 milhões de euros (R$ 2,13 bilhões) no empreendimento, considerando ainda comissões pagas a intermediários nas tratativas, alguns deles também réus do processo.

Quatro empresas associadas a réus individuais também foram indiciadas. Duas delas estão localizadas na Suíça, uma nos Estados Unidos e uma na Eslovênia.

Quero receber conteúdos exclusivos sobre o mundo