Ômicron causou 'sintomas leves', diz médica sul-africana que tratou dezenas de casos da variante

Segundo a profissional, por enquanto, os pacientes estão passando seu período de recuperação sem necessidade de hospitalização.

Médica falando
Legenda: Angelique Coetzee acompanhou dezenas de casos
Foto: Reprodução / Sama

A médica sul-africana e presidente da Associação Médica da África do Sul (Sama, na sigla em inglês), Angelique Coetzee, que atendeu quase trinta pacientes com Covid-19 infectados pela nova variante Ômicron, afirma que eles apresentam "sintomas leves".

Segundo a profissional, por enquanto, eles estão passando seu período de recuperação sem necessidade de hospitalização. 

De acordo com o site Sputnik, Angelique constatou que as pessoas infectadas apresentaram "uma doença leve com sintomas como músculos doloridos e cansaço por um ou dois dias sem se sentir bem".

"Até agora, detectamos que as pessoas infectadas não sofrem perda de paladar ou cheiro. Eles podem ter uma leve tosse. Não há sinais proeminentes de sintomas. Dos infectados, alguns estão sendo tratados em casa", afirmou a médica. 

Batizada de ômicron (B.1.1.529), a nova variante do coronavírus identificada tornou-se uma preocupação global. O epicentro da mutação ocorreu na província sul-africana de Gauteng, onde 77 casos foram confirmados. No entanto, a linhagem já se encontra em pelo menos outros nove países e território.

Até o momento, foram confirmados casos na:

  1. África do Sul (Província de Gauteng): 77 casos;
  2. Alemanha: 2 casos na região da Baviera; 1 caso com "alta probabilidade" em Hesse;
  3. Austrália: 2 casos em Sidney;
  4. Bélgica: 1 caso (viajante que voltou do Egito, em 11 de novembro);
  5. Botsuana: 4 casos (estrangeiros que foram ao país missão diplomática e já deixaram o país)
  6. Hong Kong: 1 caso (pessoa que viajou à África do Sul);
  7. Holanda: 13 casos (passageiros que chegaram da África do Sul);
  8. Israel: 1 caso (pessoa que viajou ao Malaui). outros 7 casos são investigados;
  9. Itália: 1 caso confirmado (homem que chegou de Moçambique);
  10. Reino Unido: 2 casos confirmados, em Chelmsford e Nottingham;
  11. República Tcheca: 1 caso confirmado em Liberec

Contudo, especialistas alertam que nova mutação deve ser motivo para preocupação, mas o momento não é de pânico. Cientistas ainda buscam repostas sobre mortalidade, sintomas, gravidade da doença e eficácia das vacinas contra essa variante. 

Além disso, reacendeu o debate sobre a necessidade de vigilância genômica (monitoramento dos vírus em circulação e identificação as variantes) para o combate à pandemia.  

Pressão sobre a África 

A nova mutação foi notificada pela primeira vez pela África do Sul em 24 de novembro. Desde sexta-feira (26), cada vez mais países suspendem as viagens com a África do Sul, Zimbábue, Namíbia, Lesoto, Essuatini (ou Suazilândia), Moçambique e, em alguns casos, Malawi.

Neste sábado (27), o governo sul-africano se disse "castigado" por ter detectado a nova variante e lamentou que sua excelência científica por tê-la descoberto acabe penalizando o país.

Por sua vez, o presidente americano Joe Biden destacou que a emergência dessa nova variante mostra que ela "não acabará sem vacinações a nível mundial" e pediu doações de mais vacinas para os países pobres.

O coronavírus deixa mais de 5,18 milhões de mortos em todo o mundo desde sua aparição na China no final de 2019, embora a OMS estime que os números reais possam ser muito maiores.

Mundo fecha as portas 

Os Estados Unidos proibiram a entrada em seu território de viajantes procedentes do sul da África, exceto os que são americanos ou residentes permanentes no país. Canadá, Brasil e vários países árabes, como a Arábia Saudita, também adotaram restrições.

Na Ásia, o Japão vai endurecer suas limitações de entrada, com 10 dias de isolamento para todos que chegarem dessa região. A Tailândia anunciou uma proibição de entrada a partir de dezembro e a Coreia do Sul aplicará restrições de vistos e uma quarentena a partir de domingo para os passageiros procedentes de oito países, entre eles a África do Sul.

A União Europeia recomendou suspender as viagens procedentes da África do Sul e de outros seis países da região. Vários países europeus, como o Reino Unido, França, Itália e Suíça proibiram os voos desses países africanos, medida que será aplicada a partir de domingo na Rússia e de terça-feira na Espanha.

Aumento de casos na Europa 

A emergência da Ômicron coincide com um aumento de casos de covid-19 na Europa, que obrigou as autoridades de diferentes países a reforçarem as medidas sanitárias

Os temores relacionados à nova variante fizeram que as bolsas e os preços do petróleo despencassem, um mercado que na sexta-feira viveu seu pior dia em 17 meses.

Na sexta-feira, a OMS disse que poderia levar várias semanas para determinar se a nova variante provoca mudanças na transmissibilidade ou gravidade da covid-19, assim como na eficácia das vacinas.

Os laboratórios Pfizer/BioNTech informaram que estão estudando urgentemente a eficácia de sua vacina contra a nova variante
Legenda: Os laboratórios Pfizer/BioNTech informaram que estão estudando urgentemente a eficácia de sua vacina contra a nova variante
Foto: Thiago Gadelha

Vacinas serão testadas

Os laboratórios Pfizer/BioNTech informaram que estão estudando urgentemente a eficácia de sua vacina contra essa nova variante e que teriam dados "em duas semanas no mais tardar".

Neste sábado, o cientista britânico que liderou as pesquisas sobre a vacina Oxford/AstraZeneca contra o coronavírus, Andrew Pollard, afirmou que é possível criar uma nova contra a variante Ômicron "muito rápido". 

O professor considerou que é "altamente improvável" que esta nova variante se propague com força entre a população já vacinada.

Cerca de 54% da população mundial recebeu ao menos uma dose da vacina anticovid, mas nos países de baixa renda essa proporção é de apenas 5,6%, segundo o portal Our World in Data. 

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