Novo protesto contra o governo mergulha França no caos; veja vídeos

Atos violentos em Paris e outras províncias, no sábado (1º), deixaram 133 pessoas feridas, enquanto 378 foram detidas

Cerca de 75 mil pessoas participaram neste sábado (1º) dos protestos dos "coletes amarelos", franceses que se manifestam contra as políticas fiscal e social do governo de Emmanuel Macron. As manifestações resultaram em confrontos violentos entre "agitadores" e as forças de segurança, principalmente em Paris.

O movimento, de classes menos favorecidas e que sacode a França há duas semanas, também provocou distúrbios em outras províncias

A violência deixou 133 feridos, incluindo 23 membros da força policial, enquanto 378 pessoas foram detidas, segundo um balanço oficial divulgado neste domingo (2). Sua escala, inédita em Paris nas últimas décadas, levou o primeiro-ministro Edouard Philippe a cancelar sua viagem à Polônia para a cúpula climática da COP24.

No coração de Paris, a cena era de guerrilha urbana, com homens encapuzados erguendo barricadas, queimando veículos, quebrando vitrines e lançando objetos contra policiais em bairros luxuosos e turísticos da capital francesa.

A avenida Champs-Elysées foi alvo do caos e o Arco do Triunfo sofreu pichações e foi tomado por manifestantes. Nas avenidas vizinhas, havia barricadas em chamas, algumas formadas por carros virados e incendiados, sob uma nuvem de gás lacrimogêneo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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O presidente francês foi ao Arco do Triunfo neste domingo avaliar os danos causados ao famoso monumento parisiense.

Legenda: O presidente francês, Emmanuel Macron, foi ao Arco do Triunfo neste domingo avaliar os danos
Foto: Foto: Geoffroy Van Der Hasselt / AFP

Emmanuel Macron acusou manifestantes violentos de quererem apenas o "caos". Seu ministro do Interior, Christophe Castaner, não descartou a possibilidade de estabelecer estado de emergência para evitar um novo surto de violência no próximo final de semana.

Segundo o presidente, os distúrbios "nada têm a ver com a expressão do descontentamento legítimo" dos "coletes amarelos", um movimento social de franceses modestos que inicialmente se opunha ao aumento do preço dos combustíveis, e que depois se expandiu para o problema do poder de compra, e que acusa o governo de Emmanuel Macron de tratá-los com desprezo e intransigência.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, disse que estava "abalado" pela violência em Paris, e as forças de segurança continuavam lidando com "agitadores" sem coletes em diferentes áreas da capital no começo da noite.

Incidentes e focos de violência paralelos à manifestações dos coletes amarelos também ocorreram em outras cidades francesas, entre elas Lille, Charleville-Mézières, Estrasburgo, Toulouse e Nantes, onde 50 manifestantes invadiram o aeroporto local.

Este é o terceiro dia de protestos na França, após os de 17 e 24 de novembro. Em Paris, os confrontos começaram depois do meio-dia, em torno do Arco do Triunfo, entre policiais e manifestantes, alguns deles encapuzados.

Legenda: Em Paris, os confrontos começaram depois do meio-dia, em torno do Arco do Triunfo, entre policiais e manifestantes, alguns deles encapuzados
Foto: Foto: Abdulmonam Eassa / AFP

O líder da França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Jean-Luc Mélenchon, denunciou a "crueldade incrível contra manifestantes pacíficos no Arco do Triunfo", e acusou o governo de "instigar o medo".

Os manifestantes que prostestavam pacificamente vestindo o icônico colete amarelo fluorescente foram pegos no fogo cruzado na avenida. Entre eles, estava Chantal, uma aposentada de 61 anos que tentava não se aproximar da confusão: "Fomos informados de que havia baderneiros à frente". Para ela, "ele (Macron) deve descer do pedestal, entender que o problema não é o imposto, é o poder de compra. Todo mês eu tenho que recorrer à poupança."

Cerca de 5 mil agentes foram mobilizados na capital, onde também se manifestaram milhares de pessoas convocadas pelo sindicato CGT em favor do emprego, e estudantes.

Reunião de crise

O presidente francês, Emmanuel Macron, vai presidir uma reunião de crise neste domingo (2) após o caos de sábado em Paris, Ele se reunirá com o primeiro-ministro Edouard Philippe, o ministro do Interior Christophe Castaner e "autoridades competentes" para tentar encontrar uma resposta para um movimento que parece fora de controle, e discutir os distúrbios de sábado, quando a capital francesa foi palco de cenas insurrecionais.

O Senado francês também anunciou neste domingo que convocou para terça-feira (4) os dois ministros da segurança para "explicações sobre os meios estabelecidos pelo ministério do Interior" no sábado.

Reivindicações orgânicas

Desde o surgimento das primeiras manifestações dos "coletes amarelos", em meados de novembro, o governo tem lutado para responder às demandas orgânicas do movimento, nascido nas redes sociais, fora de qualquer estrutura política ou sindical.

Na sexta-feira, 30 de novembro, uma reunião de consulta com o primeiro-ministro fracassou: apenas dois coletes amarelos participaram, e um deles rapidamente deixou o local, por não ter conseguido que a reunião fosse transmitida ao vivo.

Quanto aos anúncios feitos esta semana por Emmanuel Macron - um dispositivo para limitar o impacto dos impostos sobre o combustível e uma "grande consulta" - eles irritaram mais do que convenceram.

"Puro blá-blá-blá", reagiram vários manifestantes, alguns dos quais acampados em estradas ou rotatórias. "Precisamos de medidas concretas, não de fumaça", resumiu Yoann Allard, um trabalhador rural de 30 anos.

Descontentamento não diminui

Com o apoio de mais de dois terços dos franceses, e depois do sucesso de uma petição "por uma queda dos preços dos combustíveis nas bombas", que ultrapassou 1 milhão de assinaturas, o movimento continua sua trajetória, 15 dias após seu lançamento. Autoridades observam atentamente a magnitude desta nova mobilização.

Na maioria presidencial, a preocupação cresce diante da rejeição expressa, a tal ponto que a ideia de uma moratória sobre o aumento dos impostos sobre os combustíveis começa a ser debatida. Entre a oposição, de direita e de esquerda, as posições navegam entre apoio e preocupação.

O movimento começa a avançar para além das fronteiras da França: dois veículos policiais foram queimados nesta sexta-feira à noite em Bruxelas, no final de um protesto de cerca de 300 coletes amarelos, o primeiro organizado na capital belga.

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