Nova York reabre comércio e leva otimismo aos consumidores

Após 100 dias desde a notificação do primeiro caso do novo coronavírus, maior cidade americana inicia o processo gradual de desconfinamento; aposta em retomada econômica rápida leva Wall Street a zerar as perdas do ano

Legenda: Nova-iorquinos voltaram ao trabalho, com a reabertura de pequenos negócios, como antiquários
Foto: AFP

A cidade de Nova York, epicentro da pandemia do novo coronavírus nos EUA, começou, ontem (8), a reabertura econômica, após um confinamento de três meses. Cerca de 400 mil nova-iorquinos voltaram aos seus empregos, exatamente 100 dias depois do primeiro caso de coronavírus.

O primeiro dia da reabertura parcial permitiu o retorno da construção e das manufaturas. As lojas podem fazer entregas nas calçadas ou dentro dos seus comércios, para clientes que tenham feito compras on-line. "Me sinto bem de voltar", disse Michael Ostergren, gerente da livraria Shakespeare & Co., situada no bairro Upper West Side de Manhattan, enquanto os primeiros clientes chegavam para pegar seus livros. "Todos querem sair de casa", afirmou.

"Este é um momento triunfal para os nova-iorquinos que lutaram contra essa doença", disse o prefeito Bill de Blasio.

Desde março, o novo coronavírus registrou mais de 21 mil mortes em Nova York, cidade mais populosa do país.

No coração de Manhattan, K.B. Barton, 61, deixa a The Container Store com três sacolas grandes nas mãos. "Fiz compras on-line e vim buscar meu pedido. Hoje, Manhattan está mais movimentada. Estou mais feliz", disse, apesar de lamentar que nem todos estejam usando máscaras.

Na região do Queens, o metrô estava mais movimentado do que o normal nas últimas semanas na hora do rush. "Eu quase enlouqueci no confinamento", confessou Brandy Bligen, uma passageira de 70 anos, que aguarda ansiosamente a chegada da segunda fase da reabertura, que permitirá o funcionamento de restaurantes e cabeleireiros daqui a 15 dias, caso o número de infectados não aumente.

Entretenimento

Os bares e restaurantes de Nova York poderão abrir na fase três, mas teatros e museus apenas na última fase, possivelmente no fim de julho, e com capacidade reduzida.

Centenas de lojas da cidade ainda estão fechadas devido aos roubos ocorridos durante os protestos contra o racismo, ocasionados pela morte de George Floyd. O toque de recolher de uma semana, imposto pelo prefeito após o roubo de lojas, terminou ontem. Temendo um novo surto, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, pediu a todos os manifestantes que fizessem o teste para a doença.

Os EUA, país mais afetado pela pandemia, estão em recessão desde fevereiro, após 128 meses de crescimento, informou o Escritório Nacional de Pesquisa Econômica. Para o Banco Mundial, o novo coronavírus causou o maior colapso da economia mundial desde 1870.

Otimismo

A Bolsa de Nova York, incentivada pela reabertura progressiva da economia, fechou em alta, ontem (8), e o índice tecnológico Nasdaq bateu um novo recorde. O Nasdaq subiu 1,13% e zerou todas as perdas adicionadas durante a pandemia de coronavírus. Enquanto isso, o índice Dow Jones subiu 1,70%, e o índice S&P 500 subiu 1,20%, voltando ao mesmo patamar do início do ano.

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