Milhares protestam em apoio ao Presidente do Líbano, Aoun

A manifestação ocorre antes de protestos em Beirute para exigir uma revisão completa do sistema político

Legenda: Um apoiador do presidente libanês Michel Aoun segura sua foto durante um contra-protesto próximo ao palácio presidencial de Baabda em 3 de novembro de 2019.
Foto: AFP

Milhares de pessoas participaram hoje (3) de uma manifestação em apoio ao presidente Michel Aoun, horas antes de novos protestos em massa organizados pela contestação libanesa contra toda uma classe política considerada corrupta e incompetente.

Para exigir "a queda do regime", os manifestantes são esperados a partir das 15H00 (10h00 de Brasília) na praça dos Mártires, no coração de Beirute, o epicentro de uma revolta sem precedentes provocada por uma situação economia desastrosa e péssimos serviços públicos.

Esta manhã, em Baabda, sudeste da capital, milhares de pessoas se reuniram na estrada que levava ao palácio presidencial, agitando bandeiras libanesas e faixas laranja, cor do partido de Aoun, a Corrente Patriótica Livre (CPL), observou um fotógrafo da AFP.

A multidão compacta se estendia por quase dois quilômetros, segundo o fotógrafo. Alguns participantes estavam vestidos de laranja, outros carregavam retratos do presidente de 84 anos.

"O general Aoun é um homem reformista e sincero, não é corrupto nem ladrão, estamos aqui para dizer que estamos com ele", declarou à AFP uma manifestante, Diana.

"Há corrupção no Estado há 30 anos. O presidente não é responsável, ele tenta combater a corrupção", garantiu.

Os participantes denunciaram as manifestações anti-governo que, desde 17 de outubro, exigem a saída da atual classe política, com a renúncia de Aoun e a dissolução do Parlamento. 

Com seus aliados, incluindo o poderoso movimento xiita do Hezbollah, a formação de Aoun domina o Parlamento.

Os partidários do presidente asseguram que compartilham as reivindicações da contestação em termos reformas e luta contra a corrupção, mas defendem que o chefe de Estado deve ser o único a concretizá-las.

Ao longo da contestação, o genro do presidente e líder do CPL,  o ministro das Relações Exteriores Gebran Bassil, foi ferozmente criticado pelos manifestantes. Neste domingo, participou da manifestação em Baabda.  

Sob o lema "Domingo da Unidade", novas manifestações anti-poder são esperadas em todo o Líbano.

No sábado à noite, vários milhares de pessoas se reuniram em Trípoli, onde a mobilização atraiu libaneses de todo o país.

Nos últimos dias, bancos e escolas foram reabertos, e os bloqueios de estradas foram progressivamente levantados.

Legenda: Uma manifestante libanesa, com o rosto pintado como o personagem de quadrinhos e filme da DC "The Joker", participa de um protesto na Praça dos Mártires, no distrito de Beirute, capital do país
Foto: AFP

A contestação mobilizou dezenas de milhares de libaneses em várias regiões e levou à renúncia do governo na terça-feira passada - que, no entanto, continua administrando os assuntos correntes.

Essa era uma das demandas dos manifestantes, que exigem uma nova equipe ministerial composta por tecnocratas.

No Líbano, mais de um quarto da população vivia abaixo da linha da pobreza em 2012, de acordo com o Banco Mundial (BM).

Diante de uma economia à beira do esgotamento, os libaneses sofrem com a falta de serviços públicos dignos, com escassez de água e eletricidade e com um tratamento arcaico do lixo.

Nos últimos anos, o crescimento econômico diminuiu. Deve chegar a 0,2% em 2019, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), contra mais de 10% em 2009.  

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