Irã nomeia novo líder para a força Al-Qods, Esmaïl Qaani

O aiatolá Ali Khamenei o descreveu como "um dos comandantes mais condecorados" da Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, desde a guerra Irã-Iraque (1980-1988)

Legenda: Esmail Qaani
Foto: AFP

O guia supremo iraniano nomeou Esmail Qaani como o novo chefe da força Al-Qods após a morte de seu comandante nesta sexta-feira (3) em um ataque americano no aeroporto de Bagdá.

"Após o martírio do glorioso general Qassem Soleimani, nomeio o brigadeiro-general Esmaïl Qaani comandante da força Al-Qods" da Guarda Revolucionária, declarou o aiatolá Ali Khamenei em comunicado publicado em seu site oficial. 

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Até agora, Qaani era vice-comandante da força Al-Qods, responsável pelas operações estrangeiras do Irã. O aiatolá Khamenei o descreveu como "um dos comandantes mais condecorados" da Guarda Revolucionária, o exército ideológico iraniano, desde a guerra Irã-Iraque (1980-1988). "As ordens da força Al-Qods permanecem exatamente as mesmas que sob a direção do mártir Soleimani", ressaltou o guia supremo.

Entenda 

Na manhã desta sexta-feira (3), um aeroporto em Bagdá, capital do Iraque, foi bombardeado pelos Estados Unidos a mando de Donald Trump. Entre os oito mortos, estava o general Qassim Soleimani, que liderava há mais de 20 anos a força Quds, braço de elite da Guarda Revolucionária do Irã, e que era considerado pelo governo de seu país "a força mais efetiva no combate a Daesh (Estado Islâmico)".

Além dele, morreram no ataque Abu Mahdi al-Muhandis, chefe da milícia iraquiana Forças de Mobilização Popular (que tem apoio do Irã), e o porta-voz de grupo, Mohammed Ridha Jabri.

Segundo a imprensa internacional, o general iraniano tinha participado de encontros com líderes de milícias iraquianas no aeroporto. A capital do Irã, Teerã, tem aumentado sua influência no vizinho nos últimos anos.

A ofensiva causou reação de líderes políticos, entre eles, países-membro do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), como China, Rússia e França. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, pediu "calma e contenção", principalmente aos Estados Unidos, para evitar "novas escaladas de tensões".

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia, por sua vez, condenou o assassinato como "um passo aventureiro que levaria a tensões crescentes em toda a região". Já a França, por meio da vice-ministra de Relações Exteriores, Amelie de Montchalin, afirmou que "a escalada militar é sempre perigosa" e indicou que o presidente francês, Emmanuel Macron, tenta, nos bastidores, promover a reconciliação entre "todos os atores da região". 

O ministro das relações exteriores do Irã, Javad Zarif, foi além: classificou o ato dos Estados Unidos como "terrorismo internacional" e "extremamente perigoso e tolo", em sua conta no Twitter. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e seu presidente, Hassan Rohani, também condenaram o ataque como criminoso e prometeram retaliação.

A Guarda Revolucionária disse que o ato fortaleceu a determinação de vingança. "A breve alegria dos americanos e dos sionistas se transformará em luto", disse o porta-voz Ramezan Sharif na televisão estatal. 

Poucas horas após o ataque, os Estados Unidos recomendaram a seus cidadãos que deixassem o Iraque "imediatamente", seja "de avião enquanto é possível", já que o bombardeio aconteceu no aeroporto de Bagdá, seja por via terrestre para outros países da região.

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