Governo francês cede e trabalhadores mais velhos ficarão de fora de reforma da Previdência

A idade mínima para se aposentar será mantida em 62 anos, mas haverá incentivos para que as pessoas sigam na ativa por mais tempo. A pensão mínima será de mil euros mensais (cerca de R$ 4,560)

Legenda: Pessoas protestaram durante toda a semana na França contra a reforma da Previdência no país
Foto: AFP

O governo francês anunciou nesta quarta-feira (11) que manterá sua controversa reforma da Previdência, apesar de sete dias de greve nos transportes públicos e de protestos nacionais, mas ofereceu algumas concessões aos manifestantes.

A reforma não será aplicada aos franceses nascidos antes de 1975, segundo afirmou o primeiro-ministro Edouard Philippe, em um discurso no qual revelou o conteúdo integral da proposta, prometida pelo presidente Emmanuel Macron durante a campanha presidencial.

O premiê afirmou ainda que as garantias que o governo francês deu nesta quarta sobre a reforma justificam o fim da greve e as manifestações que abalam o país há uma semana.

"Parece-me que as garantias que demos aos setores mais preocupados da população justificam a retomada do diálogo e que a greve que penaliza milhões de franceses seja interrompida", afirmou Philippe em seu discurso.

Trabalhadores das forças de segurança, como os policiais, manterão o direito de se aposentar antes, segundo o premiê. Ele disse também que apenas as pessoas que entrarem no mercado de trabalho a partir de 2022 terão de seguir todas as novas regras.

A idade mínima para se aposentar será mantida em 62 anos, mas haverá incentivos para que as pessoas sigam na ativa por mais tempo. A pensão mínima será de mil euros mensais (cerca de R$ 4,560).

A reforma tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem atualmente e que concedem privilégios a determinadas categoria profissionais, como os ferroviários.

O governo pretende estabelecer um sistema único, por pontos, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos no momento de receber a aposentadoria. Para o governo, este é um sistema mais justo e mais simples.

A central sindical CGT acusou o governo de se fazer de surdo aos protestos. "Não estamos felizes de forma alguma com a proposta do governo. É uma piada, que zomba daqueles que estão lutando hoje", disse o líder Philippe Martinez.

Já a central CFDT, de linha mais centrista, disse que "uma linha vermelha foi cruzada" com a proposta de que será preciso trabalhar além dos 62 anos para obter mais benefícios. Antes da fala de Philippe, os sindicatos já haviam convocado novos protestos para os dias 12 e 17 de dezembro.

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