Conflito entre Índia e Paquistão deixa mais de 30 mortos

"Mundo não pode permitir um confronto militar entre Índia e Paquistão", alertou porta-voz do secretário-geral da ONU sobre escalada de tensão

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Imagem mostra sinalizador voando sobre a colina perto da principal cidade do distrito de Poonch, índia, após bombardeios indianos no paquistão
Legenda: Hostilidades entre as potências nucleares aumentaram após um atentado em 22 de abril na parte indiana de Caxemira, quando 26 indivíduos morreram
Foto: PUNIT PARANJPE/AFP

O conflito entre Índia e Paquistão se intensificou nesta quarta-feira (7), com forças indianas bombardeando o país vizinho e uma troca de disparos de artilharia na disputada região da Caxemira, matando 26 pessoas do lado paquistanês e 12 do lado de Nova Délhi.

Após o ataque, a Índia anunciou a destruição de "nove acampamentos terroristas" em território paquistanês. Já a república islâmica afirmou que derrubou cinco aviões de combate indianos e denunciou as mortes de 26 civis inocentes, incluindo duas crianças.

Nova Délhi informou que pelo menos 12 pessoas faleceram e 38 ficaram feridas na localidade nacional de Poonch devido aos disparos da artilharia paquistanesa.

Em meio à violência, o Comitê de Segurança Nacional do Paquistão pediu à comunidade internacional que reconheça "a gravidade das ações ilegais e injustificáveis da Índia e a responsabilize" pela violação do direito internacional.

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O que motiva o conflito entre Índia e Paquistão

As hostilidades entre as potências nucleares aumentaram após um atentado em 22 de abril na parte indiana de Caxemira, quando 26 indivíduos morreram. Na época, Nova Délhi responsabilizou o Paquistão pela ação, mas a nação islâmica negou a autoria e pede uma investigação independente.

A Caxemira é uma região de maioria muçulmana dividida que fica localizada entre os dois países e disputada por eles desde que se tornaram independentes do Reino Unido, em 1947.

O atentado foi seguido por dias de trocas de disparos com armas leves na fronteira de fato entre os países, declarações hostis e ameaças de uma ação militar indiana como retaliação.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que o ataque indiano de quarta-feira foi "covarde" e "não provocado". "Este ato odioso de agressão não ficará impune", afirmou.

'Mundo não pode permitir um confronto entre Índia e Paquistão'

O conflito mais recente significa um agravamento perigoso da situação entre os dois países, que travaram diversas guerras desde a independência dos domínios britânicos no subcontinente indiano. "O mundo não pode permitir um confronto militar entre Índia e Paquistão", disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.

O secretário britânico de Comércio, Jonathan Reynolds, ofereceu a mediação de seu país para apoiar uma aproximação entre os dois países em busca de uma desescalada.

Estados Unidos e China também pediram moderação às partes. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, instou Nova Délhi e Islamabad a "distender a situação e evitar uma nova escalada". "Pedimos à Índia e ao Paquistão que priorizem a paz e a estabilidade, que mantenham a calma e evitem ações que possam complicar ainda mais a situação", disse um porta-voz da diplomacia chinesa.

A Rússia, que há três anos invadiu a vizinha Ucrânia, pediu "moderação para evitar um agravamento ainda maior" da situação.

A disputada região da Caxemira é cenário de uma insurgência desde 1989 por parte de rebeldes que desejam a independência ou uma anexação ao Paquistão e que, segundo a Índia, contam com o apoio do país vizinho.

O conflito não se limita ao aspecto militar. Horas antes dos bombardeios, Modi disse que seu governo paralisaria o fluxo de água de seus rios em direção ao Paquistão. Islamabad respondeu que consideraria a medida como "um ato de guerra".

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