Bombardeios e confrontos com coalizão matam 24 do Estado Islâmico

Também foi divulgado que o Estado Islâmico matou 15 de seus próprios membros após a morte de um importante dirigente do grupo

Pelo menos 24 combatentes do grupo Estado Islâmico (EI) e cinco soldados morreram neste domingo (3) na província ocidental iraquiana de Al-Anbar em enfrentamentos entre jihadistas e o exército e em bombardeios da coalizão internacional liderada pelos EUA.

Segundo informações passadas à agência EFE por uma fonte de segurança, as forças regulares iraquianas, com o apoio de aviões da coalizão, tomaram o controle das zonas de Al Sikak e Al-Askari, pertencentes ao município da cidade de Hit, em Al-Anbar.

Na luta para libertar essas duas localidades, situadas a 60 quilômetros o oeste de Ramadi, a capital de Al-Anbar, 16 homens armados do EI foram mortos e vários veículos usados pelos jihadistas foram destruídos.

Nestes confrontos, cinco soldados perderam a vida e outros quatro ficaram feridos.

Outros oito combatentes radicais morreram em um ataque aéreo contra um posto do EI na zona de Al Zagarit, ao norte da cidade de Faluja, situada na província de Al-Anbar, a 50 quilômetros a oeste de Bagdá.

Por outro lado, a fonte informou sobre a morte de um civil em um ataque com morteiros lançado pelo grupo jihadista contra a cidade de Al-Baghdadi, situada a 70 quilômetros o oeste de Ramadi.

No bombardeio, outros sete civis ficaram feridos, acrescentou a fonte.

Neste domingo também foi divulgado que o Estado Islâmico matou 15 de seus próprios membros após a morte de um importante dirigente do grupo, na quarta-feira (30), em um bombardeio aéreo ocorrido no norte da síria, afirmou à Reuters o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

As execuções acontecem após a prisão de 35 membros do grupo em Raqqa, no sábado (2), de acordo com o observatório, que tem sede na Grã-Bretanha e monitora o conflito que já dura cinco anos na Síria.

Crise

Em entrevista exclusiva à Folha, um combatente do Estado Islâmico detido na Síria afirma que o Estado Islâmico está em crise. "Os bombardeios da coalizão [liderada pelos EUA] enfraqueceram muito o Estado Islâmico. Não podemos mais nos movimentar, e nossos campos de petróleo e refinarias foram atingidos. Enquanto a coalizão continuar atacando o nosso califado na Síria e no Iraque, vamos promover atentados na Europa", disse à reportagem o sírio nascido em Homs Ahmad Derwish, 29, que conta ter matado "mais ou menos" 15 ou 20 pessoas. "Estava defendendo minha religião."

A facção terrorista perdeu 25% de seu território e quase 30% de seus 35 mil militantes desde 2015. Na semana passada, as tropas do ditador sírio Bashar al-Assad reconquistaram a cidade histórica de Palmira, e os EUA mataram no Iraque um dos principais líderes da facção terrorista.

Tensões

Mas após a expulsão de extremistas, cidades sofrem de tensões sectárias que se aprofundam, uma vez que habitantes árabes sunitas são vistos com desconfiança, apontados como colaboradores do EI.

Já a milícia curda YPG (os curdos são uma etnia distinta) é acusada de promover "limpeza étnica" ao expulsar árabes de suas casas.

Autoridades curdas rechaçam as acusações de perseguição aos árabes, mas admitem suspeitar de infiltração de "espiões". E, no fim do ano passado, obrigaram famílias que tinham algum integrante no EI a deixar as cidades.

"Alguns árabes ainda cooperam com o Daesh [acrônimo em árabe para Estado Islâmico]: eles têm parentes em Raqqa [proclamada capital do EI na Síria] e passam informações", diz o comandante da YPG Khabat Alim.

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