Acordos, migração e avanço chinês são desafios para Biden

Especialistas apontam qual deverá ser a estratégia dos EUA nas relações internacionais a partir da retomada do poder pelos democratas. Potências como China e Rússia devem ser prioridades para o governo norte-americano

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Legenda: Há uma aposta de que os EUA, a partir do novo governo, possam estabelecer estratégias de união com outros países para bloquear o avanço econômico das potências China e Rússia
Foto: AFP

Ao ser eleito o 46º presidente dos Estados Unidos no dia 7 de novembro, Joe Biden disse que governaria a maior potência mundial sem distinções: “serei um presidente de todos, quer você tenha votado em mim ou não”. 

O discurso conciliador foi o sinal de que, além da atuação para frear a polarização entre democratas e republicanos nos EUA, o ex-senador e ex-vice-presidente também poderia agir de forma mais branda, alterando os rumos das relações internacionais.

Especialistas na área dão pistas de como Biden poderá dar continuidade na política externa. A relação e os interesses econômicos com a América Latina, por exemplo, deverão ter lugar de destaque na agenda norte-americana. 

Ocupando cargo de vice-presidente no governo de Barack Obama, o democrata liderou a relação diplomática com países da América do Sul.

Há uma aposta de que os EUA, a partir do novo governo, possam estabelecer estratégias de união com outros países para bloquear o avanço econômico das potências China e Rússia.

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Estratégias 

Com a Rússia, a questão se dará principalmente pela segurança cibernética dos EUA. Hackers russos são acusados de fragilizar as redes de segurança americanas. É o que aposta Denilde Holzahcker, professora de Relações Internacionais da ESMP, de São Paulo.

Ela também destaca que os EUA deverão estabelecer estratégias de união para balizar o potencial econômico chinês, que tem crescido nos últimos anos. “Para isso, ele precisa retomar a aliança com países como a França, Alemanha e Japão, criando um eixo de aliança forte de uma visão anti-China”, destaca.

Brasil

O que parece estar estabelecido entre especialistas é a pressão — já anunciada por Biden durante debate com Donald Trump —, que será exercida contra o Brasil por questões ambientais.

“Esse tensionamento será externo, mas também ocorrerá aqui no País”, observa o pesquisador do Observatório das Nacionalidades da Uece, Gustavo Guerreiro. Para ele, não há interesse das elites econômicas brasileiras em “comprar briga com os EUA”.

No debate do dia 30 de setembro, Biden chegou a dizer que Trump não ajudou a defender a natureza e prometeu que, caso fosse eleito, tentaria reunir outros países para agir nesse sentido, inclusive ameaçando o Brasil economicamente. Por outro lado, o leilão da cobertura 5G, que deve ocorrer no Brasil, é de interesse dos EUA. Essa poderá ser uma prerrogativa e uma espécie de moeda de troca, assinala Holzahcker. 

Migração 

Sobre questão migratória, Holzahcker destaca que Biden poderá ser menos combativo. Em 2018, os EUA deportaram imigrantes de volta para América Central, para países como Honduras, El Salvador, Guatemala e México, por exemplo.

 

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