Polícia Civil apura indícios de compra de gabarito em prova da PM de Alagoas, e concurso é suspenso

A suspeita de fraude começou a ser investigada após a prisão de um homem que ficou entre os primeiros colocados sem ter o ensino médio completo

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Legenda: Resultado da prova objetiva do certame havia sido divulgado no último dia 10
Foto: Márcio Ferreira/Secom

O Governo de Alagoas suspendeu temporariamente nessa quarta-feira (15) o concurso público da Polícia Militar do Estado. A decisão foi tomada após a Polícia Civil identificar indícios de que 150 candidatos teriam comprado o gabarito da prova objetiva. O resultado da etapa já havia sido divulgado no último dia 10. 

A irregularidade chegou ao conhecimento da Polícia Civil após a prisão por desacato de um homem em Maceió que comemorava a aprovação na primeira fase do certame, no último domingo (12). Com o homem, que se recusou a baixar o volume do som do carro, os policiais apreenderam uma prova com o gabarito e três celulares. 

Em seguida, o sistema de inteligência descobriu que ele já tinha sido preso em outras setes ocasiões e não possui o ensino médio completo, um dos requisitos básicos do concurso. 

A Divisão Especial de Investigações e Capturas de Alagoas instaurou inquérito na última segunda-feira (13). Segundo a investigação, o homem se classificou entre os primeiros colocados no concurso da PM ao responder 100 questões e deixar as 20 últimas em branco, o que aconteceu exatamente igual com pelo menos 150 candidatos. 

Suspensão

Por meio de nota, o Cebraspe, banca responsável pelo concurso, esclareceu que é possível a identificação e a eliminação de pessoas que possam ter se utilizado de meios ilegais mesmo após a aplicação das provas. 

"Se for constatado por meio eletrônico, estatístico, visual, grafológico ou por investigação policial, que o candidato se utilizou de processo ilícito, suas provas serão anuladas e ele será eliminado do concurso público. Esclarece-se que o Centro já se colocou à disposição da polícia e é o maior interessado em esclarecer os fatos", afirmou.

A Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag) informa que já entrou em contato com as autoridades policiais e com o Cebraspe para que seja feita a apuração das informações repassadas sobre um suposto esquema de fraude no certame.

"Também nesse sentido, comunica que, caso haja comprovação de que algum candidato fez uso de meio ilícito durante a realização das provas, ou que não cumpre os demais requisitos previstos nas outras etapas do concurso, todas as medidas administrativas e judiciais serão aplicadas", complementou a Pasta.