Reconstituição da morte de Jamile deve ocorrer em até 15 dias

A Polícia Civil requisitou à Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) o procedimento, a fim de dar subsídios para a conclusão do Inquérito Policial da morte da empresária. Ontem, cinco pessoas foram ouvidas no 2º DP

Legenda: A equipe médica que atendeu a empresária no IJF prestou depoimento no 2º DP, ontem
Foto: FOTO: HELENE SANTOS

A reconstituição da noite em que a empresária Jamile de Oliveira Correia, de 46 anos, morreu, dentro do seu próprio apartamento no bairro Meireles, deve ocorrer em até 15 dias. É a previsão apontada pela presidente do Inquérito Policial que investiga o caso, a titular do 2º DP (Aldeota), delegada Socorro Portela.

O pedido está sendo estudado pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), a qual deve marcar a data e organizar o corpo técnico para realizar a reconstituição.

A investigação sobre a morte misteriosa, cuja suspeita inicial de suicídio teve desdobramentos no dia seguinte ao sepultamento, ainda não tem data para findar. A Polícia Civil busca definir se o advogado e ex-namorado da empresária, o advogado Aldemir Pessoa Júnior, foi ou não autor da morte, na noite de 29 de agosto.

Ontem, a equipe médica que atendeu a empresária, em uma cirurgia de emergência no Instituto Dr. José Frota (IJF), após ela chegar à unidade, na madrugada do dia 30 de agosto, prestou depoimento no 2° DP. As oitivas das cinco pessoas - sendo dois médicos residentes, uma anestesista, uma técnica em enfermagem e uma enfermeira - ao todo, duraram mais de quatro horas e lançaram luz sobre os últimos momentos de vida de Jamile Correia.

Depoimentos

A reportagem não teve acesso aos depoimentos dos profissionais de saúde. De acordo com o advogado da família da empresária, Flávio Jacinto, os depoimentos do corpo médico do IJF foram esclarecedores. "Hoje, ficou muito mais claro de que não se pode falar em hipótese nenhuma em suicídio", afirmou o criminalista, ao acrescentar que algumas teses da defesa do ex-namorado de Jamile, Aldemir Pessoa Júnior, caíram por terra.

"Surgiu uma versão de que ela tinha dito a um médico que teria atirado em si. Não era aquilo. Quando ela chegou e foi para a sala de cirurgia, ela não conversou com ninguém. Ele (Aldemir) que se encarregou de dar essa notícia de que ela tinha atirado nela mesma", disse Jacinto.

Do outro lado, a defesa do advogado acredita que o dia de depoimentos não mostrou nada novo. "A defesa está muito tranquila, tudo dentro da normalidade. Ela (a delegada Socorro Portela) está ouvindo quem acha que deve ouvir, que acrescente alguma coisa, mas até agora nada de concreto", rebateu o advogado José Carlos Mororó.

Conforme o criminalista, desde o começo da investigação, há relatos de pessoas do IJF dizendo que Jamile atirou em si mesma, além do próprio filho. "Eu não sei até que ponto está se levando, a coisa está se esticando de uma maneira tal e estão se desgastando bastante. Espero que a qualquer momento termine esse inquérito e a realidade dos fatos venha a tona", acrescentou.

Investigação

Até a noite de ontem, já haviam prestado depoimento 55 pessoas no Caso Jamile. A investigação buscou testemunhas diretamente ligadas ao dia da morte da empresária, além de pessoas correlatas, que poderiam ajudar a entender como era a relação do casal antes da noite fatídica.

Nesta semana, ainda devem ser ouvidas duas testemunhas ligadas a Aldemir Pessa, além do médico-cirurgião que realizou o procedimento emergencial após a chegada da empresária no IJF.