Quem é 'Branquinho', chefe de facção criminosa cearense?

Dois homens, que têm o mesmo apelido, apareceram em relatórios policiais sobre uma organização criminosa cearense

Marcos André Silva Ferreira está preso desde 10 de outubro de 2018
Legenda: Marcos André Silva Ferreira está preso desde 10 de outubro de 2018
Foto: Fabiane de Paula

Marcos André Silva Ferreira ou Jonnatas Ribeiro. Quem é 'Branquinho', chefe de uma facção criminosa cearense? Os dois nomes, com o mesmo apelido, apareceram em relatórios da Polícia Civil do Ceará (PCCE). Segundo a família de Marcos André, que está preso, ele foi confundido. Já a defesa de Jonnatas afirma desconhecer essa confusão. Mas para a Polícia Civil, os dois homens são líderes da facção, apesar da coincidência da alcunha.

Reportagem do Diário do Nordeste publicada em 13 de julho de 2019 trazia que Marcos André Silva Ferreira, o 'Branquinho', era um dos seis maiores líderes da facção e, por isso, era um dos proprietários dos anéis templários que distinguiam as lideranças da organização criminosa. A informação foi obtida a partir de documentos da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da PCCE; e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Ceará (MPCE).

Um ano e meio depois, em 18 de janeiro de 2021, nova reportagem do Diário do Nordeste citava 'Branquinho' como Jonnatas Ribeiro, integrante da Sétima Coluna da facção cearense, um grupo formado por lideranças e fundadores que possuem anéis templários, com base em novos documentos da Draco e do Gaeco.

Para a família de Marcos André, os documentos provam que o jovem teve o nome confundido com Jonnatas no início das investigações e que ele não é líder de nenhuma facção. Marcos foi preso em uma academia de ginástica na Aldeota, em Fortaleza, em 10 de outubro de 2018, e responde a processos por homicídio, organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes do Sistema Nacional de Armas, roubo e furto.

Em nota, a família de Marcos alega que "o erro das investigações preliminares dificultou a defesa técnica do acusado, pois ao ser apontado como membro da alta cúpula da organização criminosa, prejudicou a sua imagem perante a justiça e a sociedade, tendo tais acusações inverídicas influenciado negativamente no julgamento do mesmo".

Apesar dos antecedentes criminais, a família de Marcos afirma que ele estava tentando se ressocializar e já tinha deixado a vida criminosa, ao ponto de estar matriculado em uma faculdade e frequentando espaços públicos, antes de ser preso e acusado de chefiar uma facção.

Á época de sua prisão o jovem Marcos André Silva Ferreira era estudante universitário. Agora, com sua vida atravessada pelo cárcere, sofre as agruras da prisão e o preconceito de familiares e amigos."
Família de Marcos André
Em nota

A defesa de Jonnatas, por sua vez, que ele está preso desde 2013, não tem nenhuma ligação com Marcos André e não tem associação com a investigação relativa aos anéis templários. 

Polícia Civil nega confusão

Questionada sobre a possível confusão entre Marcos André Silva Ferreira e Jonnatas Ribeiro, a Polícia Civil rebateu, em nota, que "os dois investigados possuem as mesmas alcunhas e integram a mesma organização criminosa, exercendo inclusive função de chefia".

Cabe ressaltar que as investigações desenvolvidas pela Delegacia Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) em desfavor de Marcos André Silva Ferreira demonstraram não somente o envolvimento na organização criminosa, como na prática de crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As investigações que levaram à condenação de Marcos André foram baseadas em provas técnicas colhidas durante todo o processo investigativo."
Polícia Civil do Ceará
Em nota

Segundo a Polícia Civil, Marcos André foi preso na posse de quatro veículos - sendo duas Toyota Hilux blindadas - e foi condenado pela Justiça Estadual pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, com aumento de pena pelo emprego de arma de fogo e pelo tráfico de drogas. Somadas as penas, ele cumpre 18 anos e 6 meses de reclusão. A reportagem apurou que ele está detido no Presídio de Segurança Máxima Estadual, em Aquiraz, inaugurado em agosto deste ano.

Também procurado, o Ministério Público do Ceará alegou que a investigação contra a facção criminosa cearense "foi posta em prática pela Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco), não sendo do conhecimento do MPCE a informação de que 'Branquinho', líder da GDE, seria Jonnatas Ribeiro".

As informações referentes aos membros fundadores da GDE são repassadas pela Draco ao Gaeco. Vale ressaltar que a participação do Gaeco foi na análise do procedimento policial e, em seguida, no oferecimento de denúncia."
Ministério Público do Ceará
Em nota

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