Quadrilha que tinha 'drive thru' de drogas em Fortaleza é condenada a mais de 100 anos de prisão

Apesar de determinar o cumprimento das penas em regime fechado, o juiz permitiu que os seis acusados recorresem em liberdade

A organização criminosa foi alvo da Operação Occasus, da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD)
Legenda: A organização criminosa foi alvo da Operação Occasus, da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD)
Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Seis acusados de integrar uma facção criminosa amazonense, com atuação em Fortaleza, foram condenados a um total de 101 anos de prisão, em sentença proferida pela Vara de Delitos de Organização Criminosa, da Justiça Estadual. A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) da última quarta-feira (3).

A organização criminosa foi alvo da Operação Occasus, iniciada pela Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), em 2015. Um total de 20 integrantes da facção foi identificado e acusado por participação nos crimes. Devido ao alto número de réus, a ação penal teve que ser dividida em vários processos.

Juslene Batista Sobral, Juleanderson Inácio da Silva e Carlos Augusto da Silva Rosário foram condenados a 18 anos e 8 meses de prisão, cada, pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Maxsuel Benício Bezerra também foi condenado pelos mesmos crimes, mas recebeu a maior pena do grupo: 21 anos e 4 meses de reclusão.

Já Honny Walter Abreu Costa e Wellison Martins da Silva foram absolvidos pelo crime de organização criminosa, mas não se livraram da condenação por tráfico de drogas e associação para o tráfico, que resultou em uma pena de 12 anos de reclusão para cada.

Apesar de determinar o cumprimento das penas em regime fechado, o juiz permitiu que os seis acusados recorresem em liberdade, por considerar que eles "já se encontram soltos pelo presente processo sem relatos de violação às medidas cautelares impostas, não vislumbrando motivos para nova decretação de sua prisão preventiva". 

Cinco deles já recorreram da sentença. As defesas dos réus alegaram, durante o processo, que eles não cometeram os crimes e que as provas não se sustentam e pediram pela absolvição dos clientes e pela nulidade das interceptações telefônicas realizadas na investigação, com autorização judicial. 

Investigação policial

O grupo é acusado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) de integrar uma facção amazonense, com atuação no tráfico de drogas nas comunidades Parque Santa Rosa e Pôr do Sol, situadas lado a lado, no bairro Messejana, em Fortaleza. 

Polícia Civil apreendeu um fuzil 556 durante as investigações da Operação Occasus
Legenda: Polícia Civil apreendeu um fuzil 556 durante as investigações da Operação Occasus
Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Conforme a investigação policial, a quadrilha realizava uma espécie de 'drive-thru' de drogas na Avenida Washington Soares. Os clientes paravam na via e alguém corria da 'Comunidade Pôr do Sol' para fazer a entrega de entorpecentes. 

Durante a Operação, a Polícia apreendeu 209 Kg de maconha, crack e cocaína; nove veículos; cinco armas, incluindo um fuzil 556; 96 munições; insumos para o preparo e embalagem da droga. Contas bancárias, veículos e imóveis dos suspeitos foram bloqueados.

Entre os condenados, Juslene, Juleanderson, Carlos e Maxsuel seriam vendedores de drogas da facção em uma das duas comunidades, conforme a sentença. Já Honny atuaria na outra comunidade, que tinha outra liderança. Enquanto Wellison seria um dos "químicos" (que preparava a droga) para a organização criminosa.

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