Processo por associação criminosa contra Marcola e mais sete réus prescreve na Justiça do Ceará

O chefe máximo do PCC e outros acusados de roubar uma empresa de transporte de valores em fevereiro de 2000, em Caucaia, ainda esperam julgamento pelo crime de roubo qualificado

Para 'Marcola', o prazo prescricional começou a correr a partir de novembro de 2001, quando foi preso
Legenda: Para 'Marcola', o prazo prescricional começou a correr a partir de novembro de 2001, quando foi preso
Foto: Foto: Estadão Conteúdo

Marcos William Herbas Camacho, o 'Marcola', líder máximo da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), e sete comparsas não respondem mais por associação criminosa no Ceará. O crime prescreveu, o que foi confirmado pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Caucaia, da Justiça Estadual, na última terça-feira (27).

O grupo é acusado de roubar cerca de R$ 1,4 milhão da sede da Nordeste Segurança de Valores (NSV), localizada em Caucaia, na manhã de 18 de fevereiro de 2000. Outros 11 réus foram condenados a prisão e uma mulher, absolvida.

Conforme a 3ª Vara Criminal de Caucaia, o crime de associação criminosa, que tem pena máxima de 3 anos de prisão, prescreve em 8 anos. Já o crime de roubo, com pena superior a 12 anos, prescreve em 20 anos.

Para 'Marcola', o prazo prescricional começou a correr a partir de novembro de 2001, quando foi preso. Portanto, o crime prescreveu em 2009. Já o crime de roubo, para o líder do PCC, irá prescrever daqui a um ano, em novembro de 2021, se não for julgado até lá.

Os outros oito réus para quem o crime de associação criminosa prescreveu são: Francisco de Assis Barroso Braga, Josimar de Assis, José Elenaldo dos Santos, Paulina Irala, Fábio Augusto Nogueira Fitze, Iris Ferreira de Araújo e Djalma Enio Toshiaki Suwaki.

Roubo milionário a empresa de valores

O grupo é acusado de roubar cerca de R$ 1,4 milhão da sede da Nordeste Segurança de Valores (NSV), localizada em Caucaia, na manhã de 18 de fevereiro de 2000. Conforme a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o crime foi planejado, a começar pela aproximação de Djalma Enio da irmã do supervisor de segurança da empresa, José Wilton, que aceitou participar do roubo por R$ 35 mil.

A quadrilha conseguiu a senha de acesso ao cofre e alugou imóveis no entorno da empresa para estudar a rotina do local. Para garantir o transporte e a segurança do grupo, foram roubados carros e executada uma série de sequestros contra familiares de funcionários da NSV. Um deles foi rendido e foi utilizado pelo bando para que os portões da empresa fossem abertos.

Os criminosos utilizaram armamento pesado, como metralhadoras, fuzis e granadas. Conforme a investigação, 'Marcola' foi um dos homens que entraram na Nordeste Segurança. Em posse do dinheiro, o bando fugiu para Sobral, na Região Norte, onde um avião e um piloto aguardavam para saírem do Estado.

Aquela foi a segunda ação ousada de roubo do PCC no Ceará. Antes, em 1999, a facção teria levado R$ 6,3 milhões da empresa Corpvs Segurança. Os dois crimes serviram de aprendizado para a facção colocar em prática o maior furto da história do País à época, ao tirar R$ 164 milhões do Banco Central, em Fortaleza, em 2005, sem ninguém ser notado. Nos anos seguintes, crimes semelhantes foram registrados em outros estados e atribuídos à mesma organização criminosa.

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