Policiais trocam tiros com grupo encapuzado durante tentativa de invasão ao BPMA

O Batalhão sofreu três ataques nesta quarta-feira; policiais do BPMA foram atraídos para emboscada, mas saíram sem danos, segundo PM que não quis se identificar

Legenda: Viaturas do BPMA em frente ao Batalhão.
Foto: Foto: Camila Lima

Ocorreram pelo menos três ataques ao Batalhão Policial de Meio Ambiente (BPMA) nesta quarta-feira (19), em meio a ações contra a Segurança Pública promovidas por grupos de policiais miliares. Um carro da corporação foi levado no início da manhã, durante uma tentativa de invasão à unidade, no Bairro Aerolândia, em Fortaleza. Já por volta de 15h, tiros foram disparados contra o Batalhão, em nova tentativa. Não há confirmação de feridos. 

Os ataques são ofensivas de grupos de policiais em represália à proposta de reajuste salarial para a categoria dada pelo Governo do Estado. A proposta de reestruturação começou a tramitar na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (18) e é resultado de um acordo entre Governo do Ceará e representantes de cinco associações de profissionais de segurança.  A previsão é que seja aprovada até o fim deste mês.

O primeiro ataque ao BPMA ocorreu no início da manhã, quando um grupo tentou tomar o Batalhão. Por volta de 11h30, os policiais foram atender a uma ocorrência repassada pela Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), próximo ao Aeroporto de Fortaleza, mas se tratava de uma emboscada, segundo informou um dos policiais em serviço, que não quis ser identificado.  

Ao chegarem ao local, os policiais do BPMA encontraram a rua bloqueada e homens encapuzados. Os profissionais em atividade conseguiram sair sem ferimentos. 

Já no período da tarde, um grupo de 20 a 30 homens encapuzados tentou uma nova invasão ao Batalhão. De acordo com o PM que não quis se identificar, os homens atiraram contra a unidade com munição letal. Os profissionais do BPMA responderam com tiros de munição de menor potencial ofensivo, conforme o policial.

A Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) e o Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) foram deslocados para reforçar a segurança na unidade.

Paralisações 

Os atos de grupos policiais iniciaram na noite de terça-feira (18), com paralisações, esvaziamento de pneus de viaturas e bloqueio do acesso em batalhões. Os casos foram registrados em Fortaleza, Região Metropolitana e em pelos menos sete cidades do Interior (Barbalha, Canindé, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Quixadá e Sobral).   

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, afirmou que 261 policiais militares serão investigados por crimes militares no Ceará relacionados a paralisações e danos a viaturas da corporação.   

O governador Camilo Santana afirmou, em pronunciamento na tarde desta quarta-feira (19), que entrou em contato com o Governo Federal para solicitar apoio de tropas federais para "garantir a segurança da população". Santana afirmou que os atos são influência de "interesses de pequenos grupos, que se aproveitam da boa fé da tropa para mentir, ganhar dinheiro e para se projetar politicamente, especialmente em anos de eleição como este".   

Acordo de reajuste salarial 

Lideranças dos profissionais de segurança pública chegaram a entrar em um acordo com o Estado sobre o reajuste salarial no último dia 12, em reunião na Assembleia Legislativa. No entanto, representantes dos policiais militares voltaram a público para dizer que a proposta não foi aceita.

De acordo com a proposta, o salário-base de um soldado passaria a R$ 4,5 mil, com aumento progressivo até 2022. A primeira parcela do reajuste, de 40%, seria implantada em março. A segunda, de 30%, em março de 2021. Os 30% restantes, em março de 2022.

Anteriormente, uma proposta rejeitada pelos policiais e bombeiros militares indicava o reajuste progressivo até R$ 4,2 mil até 2022. Houve protesto dos profissionais de segurança na Assembleia Legislativa contra essa proposta, em dezembro de 2019.

A reestruturação salarial começou a tramitar na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (18). De acordo com o líder do governo, o deputado Júlio César Filho (Cidadania), não há uma nova proposta e o projeto é o mesmo que foi acordado, antes dos representantes da PM voltarem atrás. César Filho afirmou que a proposta deve ser aprovada até o fim do mês.

Justiça 

O Ministério Público do Ceará (MPCE) entrou com ação na Justiça, na segunda-feira (17), pedindo que, em caso de paralisações nas categorias, cinco associações dos profissionais de segurança pública do Ceará tenham as contas bloqueadas. Associação dos Profissionais da Segurança (APS), Associação das Praças do Estado do Ceará (Aspra), Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (Aspramace), Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Ceará (Assof) e Associação Beneficente dos Subtenentes e Sargentos (ABSS) são citadas na ação.

Caso as associações promovam e financiem assembleias voltadas para discussão de melhorias salariais, a multa requerida pelo MPCE pode chegar a R$ 200 mil. Caso as entidades participem de reuniões sobre greves e paralisações, a penalização é de R$ 500 mil. E se houver paralisação total ou parcial da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar, as associações podem ser multadas em até R$ 1 milhão. 

No mesmo dia, a Justiça do Ceará manteve a decisão que determina que agentes de segurança poderão sofrer sanções e até serem presos por promoverem movimentos grevistas ou manifestações no Estado. Contudo, por unanimidade, a Seção Criminal doTribunal de Justiça do Ceará (TJCE) determinou que a matéria deve ser apreciada por Órgão Especial. Os desembargadores argumentaram que a matéria é de âmbito do direito administrativo e não do direito penal. A apreciação pelo novo órgão não tem data definida. 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre segurança