Polícia identificou cheque falso de quase R$ 50 milhões por luz ultravioleta

Além disso, o cheque tinha o nome de um gerente bancário de São Paulo errado. Três suspeitos foram presos em flagrante

Luz ultravioleta brilha no cheque, o que confirma a falsidade
Legenda: Luz ultravioleta brilha no cheque, o que confirma a falsidade
Foto: Divulgação

A Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), da Polícia Civil do Ceará (PCCE), identificou que o cheque de R$ 49,3 milhões utilizado em uma agência bancária de Fortaleza era falso através de uma lanterna com luz ultravioleta. Três suspeitos foram presos em flagrante.

"Documentos, dinheiro têm elementos de segurança para evitar a falsificação. Eles utilizam um papel, que faz com que a luz ultravioleta seja absorvida. Se você colocar a luz em cima do papel, ela não brilha, diferente de um papel comum. É uma das formas que um leigo pode identificar. Logicamente, que depois o cheque foi encaminhado para a Perícia identificar todoso os pontos que confirmam a falsificação", explica o delegado adjunto da DDF, Carlos Teófilo.

Luz ultravioleta em dinheiro original. Papel de segurança faz que luz seja absorvida
Legenda: Luz ultravioleta em dinheiro original. Papel de segurança faz que luz seja absorvida

Luz ultravioleta em papel comum brilha, igual no cheque falso
Legenda: Luz ultravioleta em papel comum brilha, igual no cheque falso

Além disso, o cheque, que era de ordem de pagamento, tinha a assinatura de um gerente bancário de São Paulo, que permitia o pagamento. Mas, ao checar se as informações procediam, a Polícia Civil descobriu que o nome era de um tesoureiro do banco e a assinatura era falsa, segundo Teófilo.

Pai e filha foram presos ao tentar compensar o cheque de quase R$ 50 milhões. Uma terceira pessoa envolvida no crime, que se passou por empresário e utilizava documentos e o nome de uma empresa de Goiás, também foi presa. Os três suspeitos vão responder por falsidade ideológica, falsificação de documentos e tentativa de estelionato.

De acordo com o delegado Carlos Teófilo, a polícia chegou aos suspeitos após o gerente do banco desconfiar da história contada por Paulo César da Silva Freire, 71, e a filha dele, Andréa Freire Maia, 40. 

Contrato falso de R$ 1 milhão

Os dois foram à agência conversar com o gerente alegando ter uma empresa que prestaria serviços para o suposto empresário, um homem identificado como Charlys Cunha de Farias, 35. Os criminosos simularam um contrato de mais de R$ 1 milhão estabelecido com essa empresa, e queriam transferir parte do dinheiro (R$ 49.388.000,00) para contas de terceiros. 

A empresa para qual prestariam o serviço existe e está localizada em Goiás. Os suspeitos tinham cópia dos documentos da verdadeira empresária e o contrato social da empresa.  

“Eles levaram o contrato para tentar sacar o dinheiro junto com o cheque. O contrato que eles fizeram seria uma forma de dar uma maior clareza pra negociação, uma forma de ludibriar o pessoal do banco, mostrar que realmente estava sendo feita uma negociação e que não era um cheque que eles simplesmente estavam querendo compensar. Com eles também foi encontrada a cópia do documento da senhora Divina e o contrato social dessa empresa”, disse o delegado. 

Empresa de Goiás sob investigação

A polícia ainda investiga uma possível participação da empresa verdadeira, mas adiantou que segue a hipótese de que os criminosos estão usando o nome da empresa de forma fraudulenta. 

“A gente acredita também que eles obtiveram essa documentação de forma fraudulenta e estão usando o nome dessa empresa de forma fraudulenta. Imagina que o endosso com a assinatura dela e o carimbo da empresa sejam falsos”, apontou Teófilo. 

Segundo o delegado, pai e filha que procuraram o banco foram enfáticos ao afirmar que não desejavam que o cheque de R$ 50 milhões fosse depositado, mas sim que o dinheiro fosse transferido para contas diferentes de terceiros.  

“A história era que um milhão ia para a conta da empresa da dupla e o restante que sobrasse eles queriam que fosse transferido para diversas outras contas”, explicou. 

Para o delegado, esse era um dos indícios de que se tratava de fraude. “Porque se o cheque fosse depositado, logicamente que, posteriormente, o banco iria perceber que era fraude. E o cheque teria que ser depositado na conta dele. Então ele queria que fosse passado para contas de terceiros, possivelmente laranjas, para dificultar por parte da polícia a identificação”, completou. A dupla não chegou a repassar as contas para o banco.

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