Polícia Civil investiga vazamento de fotos íntimas e abusos sexuais

Os relatos vêm sendo amplamente divulgados nas redes sociais. No entanto, a Secretaria da Segurança Pública destaca a necessidade das vítimas registrarem Boletins de Ocorrência para dar continuidade às investigações

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Legenda: Conversas mantidas entre os suspeitos e as vítimas foram divulgadas na internet acompanhada da #ExposedFortal.

Desde o início desta semana, relatos de jovens que afirmam terem sido vítimas de crimes sexuais ganham espaço nas redes sociais e passaram a ser investigadas pela Polícia Civil. As hashtags #ExposedFortal e #ExposedSobral viralizaram e com elas as autoridades da Segurança Pública e toda a população passaram a ter conhecimento sobre uma realidade: o assédio contra o público feminino é constante, subnotificado e atinge diversas camadas sociais.

Os casos envolvem como suspeitos desde estudantes adolescentes até professores e coordenadores, inclusive de instituições de ensino privadas. As centenas de denúncias feitas, principalmente, por meio do Twitter e Instagram já estão no radar da Polícia. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) destaca que os casos de fotos íntimas vazadas sem o consentimento da vítima já estão sob investigação, no entanto, outros crimes, como ameaças, difamação, calúnia precisam da representação da vítima para que os trabalhos policiais sejam continuados.

Conforme a SSPDS, até o início da noite de ontem, só havia sido registrada uma denúncia presencial de vítima em Fortaleza. Até o fechamento desta edição, a Pasta permanecia contabilizando boletins de ocorrência prestados por meio da Delegacia Eletrônica (Deletron).

O titular da Secretaria, André Costa, se pronunciou afirmando que a Polícia Civil apura as denúncias e disse ter determinado "prioridade para o caso". Costa solicita que as vítimas registrem B.O para facilitar a identificação dos envolvidos. Ontem, André Costa voltou a se manifestar afirmando considerar as práticas como inaceitáveis "e que marcam para sempre a vida dessas garotas" disse o secretário por meio das redes sociais.

A delegada Rena Gomes, diretora do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV), afirmou que, com análise inicial das publicações das vítimas, percebe-se a existência de vários tipos de crimes. "Nós podemos vislumbrar crimes de ameaças, importunações sexuais e muitos outros. Importante neste momento que a vítima venha narrar a conduta criminosa que foi praticada contra si. Neste momento, a autoridade policial vai fazer a devida individualização e fazer o enquadramento legal específico. A Polícia Civil está preparada, com várias delegacias trabalhando neste caso para identificar as situações", destacou Rena.

Casos

Os primeiros relatos publicados com a #ExposedFortal denunciavam um grupo, composto por jovens, que compartilhavam no Whatsapp 'nudes' de meninas. Em sua maioria, as vítimas são menores de idade. Os suspeitos utilizavam o espaço para tecerem comentários sobre as vítimas, dando notas para as fotos íntimas, e chegavam a ameaçar algumas delas.

Uma das jovens que se declara como vítima desta exposição disse que o grupo foi criado há cerca de quatro anos: "Tudo começou em 2016 quando criaram um grupo. Era um grupo onde meninos que enviavam nudes das meninas para os homens. Eles foram descobertos, mas nenhuma menina se pronunciou, pois ficaram com medo e não deu em nada. Esse ano fizeram um novo grupo, onde vários meninos faziam a mesma coisa", contou.

Outra jovem afirma ter tido fotos íntimas vazadas diversas vezes. "Em 2016 até 2018, esse grupo espalhava várias fotos íntimas de muitas meninas, não só de Fortaleza. Inclusive um menino espalhou fotos minhas lá também, e agora, que o expus, ele veio me dizer que estava arrependido pelo o que fez na época".

Ontem, a #ExposedSobral começou a ser divulgada com resumos dos fatos ocorridos no Município do interior do Ceará. A SSPDS destacou que estas denúncias são investigadas pela Delegacia de Defesa da Mulher de Sobral, mas nenhum boletim havia sido registrado pelas vítimas.

A Defensoria Pública do Ceará disse ter remetido ofício à Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca) para disponibilizar a instituição e estrutura às famílias das vítimas. De acordo com a Defensoria, o Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher em Fortaleza (Nudem) e o Núcleo de Atendimento da Defensoria Pública da Infância e Juventude (Nadij) estão preparados para prestar apoio psicossocial e jurídico às vítimas dos crimes sexuais.


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