Operação da PF contra tráfico de drogas cumpre 6 mandados em Fortaleza, sendo dois de prisão

Entre os presos na Operação está o ex-deputado estadual pelo Amapá Isaac Alcolumbre, primo do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Dinheiro, armas e outros objetos foram apreendidos na ação da PF
Legenda: Dinheiro, armas e outros objetos foram apreendidos na ação da PF
Foto: Divulgação/ PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (20), a Operação Vikare para desarticular uma organização criminosa que atuava no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro. 73 mandados judiciais foram cumpridos em nove estados brasileiros, inclusive no Ceará.

De acordo com a assessoria de comunicação da PF, 6 mandados foram cumpridos em Fortaleza, sendo 4 mandados de busca e apreensão e 2 mandados de prisão preventiva. Os alvos dos mandados não foram divulgados.

Dentre os 73 mandados espalhados pelo País, 49 eram de busca e apreensão e 24, de prisão preventiva. De acordo com a Agência Brasil, entre os presos está o ex-deputado estadual pelo Amapá Isaac Alcolumbre, primo do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) - que não é alvo da Operação.

Além do Ceará, os mandados judiciais foram cumpridos no Amapá (Macapá), Pará (municípios de Belém e Ananindeua), Amazonas (Manaus e Itacoatiara), Piauí (Teresina), Mato Grosso do Sul (Campo Grande, Paranhos e Aral Moreira), São Paulo (capital e Sorocaba); Rio de Janeiro (capital) e Paraná (Foz do Iguaçu e Londrina). Cerca de 300 policiais federais participaram da Operação.

R$ 5,8 mi
Além dos mandados de prisão e busca e apreensão, a Justiça Federal no Amapá, após representação da Polícia Federal, ainda impôs medidas de sequestro de bens, direitos e valores de 68 pessoas físicas e jurídicas que chegam ao montante de R$ 5,8 milhões.

Lista de bens apreendidos

A lista inclui 95 veículos, entre carros, caminhões e motos, boa parte de luxo, com proibição da transferência de propriedade; 3 aeronaves com indisponibilidade e restrição de uso; 19 embarcações com indisponibilidade e restrição de uso; indisponibilidade de diversos imóveis em nome de 41 pessoas físicas e jurídicas; bloqueio de ativos financeiros de pessoas físicas e jurídicas.

Os investigados responderão, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 51 anos de reclusão, além do pagamento de multa.

Operação Vikare foi deflagrada em nove estados brasileiros, inclusive no Ceará
Legenda: Operação Vikare foi deflagrada em nove estados brasileiros, inclusive no Ceará
Foto: Divulgação/ PF

Organização criminosa tinha participação de estrangeiros

Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa contava com a participação de brasileiros e estrangeiros e era voltada à prática de diversos crimes, principalmente o tráfico internacional de drogas, por meio de uma rota que passava por países da América do Sul, como Colômbia e Venezuela, e tinha o estado do Amapá como uma de suas bases logísticas fundamental - de onde as drogas partiriam para outras regiões do Brasil.

Ficou evidenciado, ainda, que empresas de 'fachadas' de outros Estados participavam do esquema para ocultar e mesmo dissimular o dinheiro amealhado ilegalmente. A organização criminosa possuía, na estrutura, mecânicos de aeronaves, pilotos, operadores financeiros responsáveis por transacionar os valores obtidos pelas atividades ilícitas, além de terceiros que recebiam quantias em contas pessoais e empresas, cujo objetivo era dar aparência de licitude aos valores obtidos com a prática criminosa".
Polícia Federal
Em nota

A Operação teve origem em maio de 2020, quando investigações da Polícia Federal, no Amapá, descobriram movimentações suspeitas de aeronaves na região. Foram descobertos destroços de um avião de pequeno porte, que ficou atolado em uma região no Município de Calçoene e estava, em grande parte, destruído por um incêndio.

Os policiais ainda perceberam que o avião estava adaptado para transportar drogas, semelhante ao que é feito com outras aeronaves apreendidas em ações policiais Brasil afora. Os investigadores levantaram informações de que uma outra aeronave pousou no mesmo local e resgatou os tripulantes e a carga.

Com o avanço da investigação, verificou-se que o proprietário do avião foi preso em julho do mesmo ano, no Paraguai, enquanto pousava uma outra aeronave carregada com 425 kg de cocaína. A aeronave de pequeno porte utilizada para resgate das pessoas e carga, que havia caído em Calçoene, em março, fora vendida a um outro indivíduo. Este, em novembro de 2020, também foi preso em flagrante na cidade de Ipixuna, no Pará, transportando 450 kg da droga skunk, logo após deixar Macapá, saindo de um aeródromo desta capital.

No Amapá, a Polícia Federal encontrou indícios de que este aeródromo fornecia apoio logístico, como combustível, para aeronave fazer esses voos aos demais Estados brasileiros, bem como a outros países fornecedores da droga, como Colômbia e Venezuela.

O local também foi utilizado como ponto de apoio para realização dos preparativos da aeronave de modo a deixá-la em condições para voar com autonomia para longas distâncias e assim trazer a maior quantidade de drogas possível. O aeródromo pertencia justamente a Isaac Alcolumbre.

Em resposta à Agência Brasil, Isaac afirmou que "não estou envolvido em nada com referência a tráfico de drogas. E fiquem certos de que provarei isso. Com relação a outras acusações das quais ainda não tenho informações, faremos a defesa no momento oportuno", escreveu o ex-deputado estadual, confirmando ser proprietário de um aeródromo que, diariamente, "recebe várias aeronaves". Por vezes, já comuniquei à polícia sobre suspeitas, inclusive proibindo pousos e decolagens".

Uma das empresas investigadas na Operação foi constituída no ramo de cosméticos, sob a administração de uma mulher de origem colombiana, residente em Sorocaba (SP), o que facilitava o acesso a produtos químicos usados no refino de drogas. Constatou-se indícios de que a suspeita já havia sido presa em 2012 por tráfico de drogas e era a principal responsável pelo fornecimento de drogas da organização criminosa.

A investigação revelou também que uma empresa do ramo de venda de peixes no Rio de Janeiro foi identificada como integrante da organização criminosa, cuja atuação consistia em esconder as drogas no meio da carga de peixe, na tentativa de dificultar o trabalho da polícia.

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