Número de vítimas de crimes sexuais no Ceará reduz na quarentena

A delegada Rena Gomes, da Polícia Civil, ressalta a possibilidade de menos vítimas terem denunciado devido aos decretos de isolamento social

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Os registros de ocorrências de crimes sexuais no Estado do Ceará caíram durante o decreto de isolamento social devido à pandemia do coronavírus. Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), de janeiro a maio deste ano de 2020 foram 640 casos. Em comparação com igual período do ano passado, com 747 registros, houve queda de 14,3%.

Sexta-feira e sábado foram quando mais crimes sexuais aconteceram. O levantamento da Pasta mostrou que estes dois dias da semana somam, juntos, quase 40% do total de casos. O turno com maior número de registros foi o noturno, das 18h às 23h59.

Dos cinco primeiros meses deste ano, abril foi o mês com menos ocorrências: 88. Baseado nas pesquisas de adesão ao isolamento, abril também foi o mês com menos pessoas circulando nas ruas, principalmente na Capital.

A delegada Rena Gomes, diretora do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV), confirma que a redução está diretamente relacionada à quarentena e alarma para uma realidade preocupante. Segundo a policial, a diminuição pode não significar que menos crimes estejam ocorrendo, e sim que menos vítimas tenham denunciado às autoridades.

"Esta diminuição se deu em razão da impossibilidade de muitas vítimas se locomoverem devido ao isolamento social. Muitas vezes, a mulher, principal vítima deste crime, precisa realizar uma denúncia presencial, porque o crime pode envolver um exame de corpo de delito, por exemplo. Nós ainda não sabemos se houve uma redução real no quantitativo de crimes, ou se o que caiu foi a quantidade de denúncias", explicou Rena.

Violência

Rena pontua que crimes sexuais vão desde casos de importunação até o estupro, podendo chegar a pena de reclusão de 12 anos. De acordo com a delegada, neste período de quarentena ainda não foi possível fazer o recorte de onde a violência mais está acontecendo e por quem mais vem sendo praticada.

"Nós sabemos que muitas vezes há a questão intrafamiliar. Nesta situação de crimes sexuais ainda há a interferência da ingestão de bebida alcoólica. Geralmente, as mulheres jovens são mais vítimas, mas o perfil é variado", disse Rena Gomes.

A delegada recorda que a vítima de um crime sexual pode denunciar o fato em qualquer delegacia. No entanto, preferencialmente, deve recorrer a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde há equipe especializada para realizar os primeiros atendimentos.

Caso recente

Em maio último, dois homens suspeitos de abusar sexualmente de uma menina de seis anos, em Itaitinga, foram presos. Os homens de 24 e 55 anos conviviam com a vítima desde que ela tinha um ano.

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