Mulher acusada de mandar matar ex-marido em Fortaleza tem pedido de liberdade negado pela Justiça

O crime foi motivado pelo furto de um aparelho celular, segundo a investigação. Cinco réus devem ir a julgamento, no próximo mês

Legenda: José Airton teria furtado o celular da ex-mulher, o que seria proibido pela facção que domina o tráfico
Foto: FOTO: NATINHO RODRIGUES

A Justiça Estadual negou mais um pedido de liberdade feito por Mirtes Maria Ferreira Aguiar, acusada de mandar matar o ex-marido, José Airton Cunha de Oliveira, motivada pelo furto de um aparelho celular, em março de 2019. Mirtes e mais quatro réus devem ir a julgamento pelo crime, em abril deste ano.

A decisão de negar a soltura da ré foi proferida pela 5ª Vara do Júri de Fortaleza, no dia 15 de março deste ano, e publicada no Diário da Justiça Eletrônica (DJE) da última quarta-feira (24).

A defesa de Mirtes Maria alegou, no pedido de liberdade, constrangimento ilegal na manutenção da prisão, por excesso de prazo na formação da culpa, já que ela está presa há quase dois anos, desde 28 de março de 2019. E ressaltou ainda o risco de contrair Covid-19 dentro do presídio, para pedir pela conversão à prisão domiciliar.

Entretanto, o juiz Raimundo Lucena Neto considerou que "o feito vem recebendo andamento regular e em prazo compatível com as peculiaridades do caso, com a instrução criminal restando finalizada, aguardando apenas o julgamento dos acusados". Quanto ao risco causado pela pandemia, o magistrado garantiu que "medidas vêm sendo tomadas para garantir a integridade física dos detentos, mantendo-os isolados".

Morto por espancamento

José Airton foi raptado, amarrado e morto por espancamento, ao visitar a ex-esposa e os filhos, no Residencial José Euclides Ferreira Gomes, no bairro Jangurussu, no dia 27 de março de 2019. Mirtes Maria teria encomendado o crime a um traficante da região, ao saber que o ex-companheiro furtou o celular dela.

Também foram acusados, por participar do assassinato, Francisco Vagner Agostinho, Mychael Freitas de Sousa, Francisco Tiago Nunes Ribeiro e Bruno Cosme Almeida Santos.

Os cinco réus têm julgamento marcado para 28 de abril de 2021, na 5ª Vara do Júri.

"A vítima não teve chance de defesa e foi submetida a um sofrimento anormal para o gênero do crime de homicídio. Os agressores atuaram audaciosamente, sem demonstrar despreocupação quanto ao reconhecimento por testemunhas oculares, certos de que sua periculosidade seria o penhor de sua impunidade", detalhou a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), que pede pela condenação dos acusados.

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