Justiça volta a prorrogar prazo para conclusão do inquérito do 'Caso Jamile'

Jamile de Oliveira Correia morreu no dia 31 de agosto de 2019. O principal suspeito pelo crime é Aldemir Pessoa Júnior, namorado da vítima

Legenda: Aldemir Pessoa Júnior afirmou que o caso não se tratou de homicídio, e sim suicídio

O Poder Judiciário decidiu, nesta segunda-feira (4), prorrogar para 30 dias o prazo para conclusão do inquérito do 'Caso Jamile'. A decisão veio horas após o Ministério Público do Ceará (MPCE) ter se manifestado pedindo que os autos retornem à delegacia de origem e que deve ter 30 dias corridos para realizar diligências necessárias e concluir o inquérito.

A nova decisão aconteceu após uma reviravolta des opiniões divergentes no Judiciário. Depois dos primeiros 30 dias de investigação, a delegada responsável que preside a investigação, Socorro Portela, remeteu o inquérito à Justiça. De início, o Ministério Público pediu 60 dias de prorrogação do prazo e o magistrado que estava com o caso acatou.

Depois, o magistrado voltou atrás da decisão e pediu suspeição do caso. Uma nova juíza assumiu e proferiu decisão afirmando que os 60 dias não eram necessários, e sim apenas 10. De acordo com a magistrada, o prazo era "demasiadamente longo" e não havia fundamento porque o MPCE não sugeriu diligências específicas.

Ao tomar conhecimento da drástica redução, Socorro Portela pediu prorrogação por 30 dias para a conclusão do inquérito "devido à complexidade das investigações e pelo fato de estarem agendadas diligências" e a magistrada abriu vistas para parecer do MPCE. 

Reconstituição

Jamile de Oliveira foi atingida com um disparo na noite do dia 29 de agosto de 2019. Ela foi socorrida ao Instituto Doutor José Frota (IJF), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 31 de agosto. O caso era tratado como suicídio, até se tornar de conhecimento da Polícia Civil. Para as autoridades, o fato não se tratou de suicídio, e sim feminicídio.

O suspeito pela morte da empresária é Aldemir Pessoa Júnior, namorado da vítima. Na última quinta-feira (31), mais uma diligência para desvendar o ocorrido foi realizada. Peritos e policiais participaram da reconstituição do caso. 

A reprodução simulada dos fatos durou duas horas e trinta minutos e teve a participação do filho da vítima, que estava junto a Aldemir e Jamile no local do suposto crime. Aldemir não compareceu à reconstituição. De acordo com a delegada, "era um momento que ele tinha para mostrar como aconteceu e ele perdeu essa oportunidade", disse se referindo a ausência do suspeito na reconstituição.

Aldemir chegou a conceder entrevistas ao Sistema Verdes Mares destacando que não houve feminicídio. "É difícil falar que alguém cometeu suicídio, principalmente porque é uma pessoa que eu amo, mas foi o que aconteceu. Eu não sou feminicida", afirmou o suspeito. Até o momento, 63 pessoas prestaram depoimentos à Polícia Civil. 
 

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