Justiça mantém prisões de acusados de matar 'Gegê' e 'Paca'

A defesa dos acusados alega que o prazo de 90 dias para manutenção das prisões preventivas acabou. No entanto, colegiado de juízes mantiveram os réus presos e citaram a lei aprovada no pacote anticrime, em 2019

Legenda: O crime aconteceu em Aquiraz. Um helicóptero foi utilizado na ação
Foto: Reprodução

O colegiado de juízes da 1ª Vara da Comarca de Aquiraz decidiu manter presos cinco acusados de matar os líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca'. A decisão foi proferida na última terça-feira (13) e é contrária aos pedidos formulados pelos advogados dos acusados.

As defesas de André Luís da Costa Lopes, Carlenilton Pereira Maltas, Felipe Ramos Morais, Jefte Ferreira Santos e Gilberto Aparecido dos Santos alegaram nos autos que o prazo de 90 dias para manutenção das prisões preventivas havia extrapolado, devendo assim a Justiça por os homens em liberdade.

Para as autoridades, inexiste excesso de prazo e, "ainda, se mantêm hígidos os fundamentos pelos quais este juízo decretou-lhes a prisão preventiva, devendo permanecerem encarcerados até ulterior deliberação", conforme aponta trecho da decisão.

Os magistrados citaram lei aprovada no pacote anticrime, em 2019, que prevê a necessidade de revisão da manutenção da prisão preventiva a cada 90 dias; destacaram a repercussão dos crimes pelos quais o grupo é acusado e mencionaram que, ao observar o andamento processual, não ficou percebido nenhum atraso sem razão.

"Cabe a ressalva, ainda, de que os crimes possivelmente praticados pelos acusados são classificados como hediondos e gravíssimos, tendo repercussão nacional e internacional por se tratar de integrantes da alta cúpula da organização criminosa Primeiro Comando da Capital. Tal organização criminosa possui atividades relacionadas ao tráfico de drogas, homicídios e outros crimes graves. Permanecem, portanto, as razões invocadas para a decretação da prisão preventiva dos réus, não havendo que se falar de sua revogação", consta no documento.

Crime

'Gegê do Mangue' e 'Paca' foram assassinados em fevereiro de 2018, em um atentado cinematográfico premeditado, conforme as investigações, por comparsas da mesma facção criminosa. O duplo homicídio aconteceu em uma reserva indígena no município de Aquiraz, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Consta nos autos que os líderes do PCC vinham levando uma vida de luxo no Ceará e, supostamente, desviando milhões da organização criminosa. Um bilhete foi encontrado por agentes penitenciários indicando que a ordem do atentado partiu de Marcola, número 1 do PCC. Ao todo, há dez pessoas acusadas de envolvimento no crime, com diferentes participações.

Felipe Ramos é apontado como piloto do PCC. Ele é quem pilotava o helicóptero utilizado para transportar as vítimas até a reserva indígena, e segue detido em uma unidade de segurança máxima em Mato Grosso. André Luís da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada', e Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', eram pessoas próximas às vítimas e, de acordo com as autoridades, se valeram da relação para atrair 'Gegê' e 'Paca' ao local do crime.

Os documentos ainda apontam que Carlenilton seria um dos executores do crime. Já Jefte, envolvido na logística do assassinato. A reportagem entrou em contato com as defesas dos acusados. No entanto, até o fechamento desta edição, os advogados não haviam se pronunciado.

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