Júri de Marcelo Barberena deve acontecer daqui a um mês

O empresário gaúcho é acusado de assassinar esposa e filha no ano de 2015. Barberena chegou a ficar preso durante quatro anos. O réu nega ter envolvimento no duplo homicídio pelo qual foi indiciado

Legenda: O empresário foi preso horas após o crime. Em agosto do ano passado foi solto por determinação do STJ
Foto: FOTO: KID JUNIOR

Mais de cinco anos após a morte de Adriana Moura e Jade Pessoa de Carvalho Moraes, mãe e filha, respectivamente, Marcelo Barberena deve ir a júri popular. O empresário gaúcho é acusado de assassinar esposa e filha em uma casa de veraneio, em Paracuru, no ano de 2015. Conforme decisão proferida na Vara Única da Comarca de Paracuru, o julgamento deve acontecer daqui a um mês, no dia 30 de novembro, às 9h, no salão do júri da mesma cidade onde aconteceram os assassinatos.

A decisão de Barberena ir a julgamento foi proferida em outubro de 2016. A defesa do réu recorreu ao Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Entre idas e vindas no processo, no último mês de julho a pronúncia foi mantida em primeira instância e a data marcada nessa segunda-feira (26).

A defesa do réu, representada pelo advogado Nestor Santiago, afirma acreditar na inocência de Barberena. "Sabemos que não será um julgamento fácil, mas confiamos que Marcelo será absolvido, pois ele é inocente e não foi autor dos fatos. As investigações, bem como o desenrolar do processo, não foram capazes de demonstrar isso. A defesa acredita que os requerimentos de produção de provas apresentados serão acolhidos, a fim de que o julgamento transcorra dentro do devido processo legal e da plenitude de defesa", disse Santiago.

Por outro lado, Leandro Vasques, advogado assistente da acusação, diz confiar que o réu seja condenado "de forma exemplar pelo imperdoável holocausto que promoveu à própria família". Vasques acredita que o Júri Popular de Paracuru não irá aceitar a tese de negativa de autoria que, para ele, "é fantasiosa e construída no solo movediço da mentira", afirma.

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Segundo a Polícia, Adriana e Jade dormiam em um quarto quando foram assassinadas a tiros, durante a madrugada do dia 23 de agosto de 2015. Na casa, duas famílias, a das vítimas e a do irmão do acusado, passavam o fim de semana. Aquela seria uma viagem em que o casal, que estava em processo de separação, tentava se reaproximar.

O empresário foi preso horas após o crime. Em um dos primeiros depoimentos prestados às autoridades, ele confessou os homicídios. Ano passado, após quatro anos encarcerado, Barberena disse ter sido, em determinados momentos, forçado pelas autoridades a confessar a ação criminosa. A versão atual dele é já ter encontrado a esposa ensanguentada e morta.

"Eu fui dormir 00h30 e acordei 5h40. Fui falar com a Adriana. Cheguei no quarto e a Adri estava gelada. O travesseiro sujo de sangue. Saí dali nervoso... No meu primeiro depoimento eu disse que não tinha sido eu. Estava com meu advogado presente. No dia seguinte, às 5h, a delegada me tirou do DHPP, me colocou no camburão e me levou de volta a Paracuru. Lá foram três horas e meia de interrogatório. Depois disso, durante todas as noites, a delegada me tirava para fazer interrogatórios individuais. Foram sete depoimentos que eu dei até ela ficar satisfeita", contou o réu em entrevista concedida ao Sistema Verdes Mares, em agosto do ano passado, quando foi solto por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para a acusação, há provas suficientes que resultem na condenação do empresário. "A arma pertencia a ele, o DNA dele consta da mesma. Foram encontradas partículas de chumbo na roupa de Barberena. Uma criteriosa perícia constatou que não houve nenhum sinal de arrombamento na casa em que se verificou o crime. Há a comprovação balística de que pelo menos um dos dois disparos que vitimaram Adriana e Jade partiram do cano da arma do acusado. O próprio acusado confessou a autoria, além de ter confirmado a versão durante a reprodução simulada dos fatos, também acompanhado de seu então defensor. Negar agora a autoria e inventar coação por parte da Polícia configura uma tese, além de cínica, irracional, pois ele ainda perde a atenuante da confissão", disse Leandro Vasques.

A defesa do empresário destacou ainda se preocupar com o incitamento à condenação de Marcelo por meio de vídeos e manifestações nas mídias sociais, o que, para Santiago "pode influenciar negativamente os jurados, tendo como resultado uma injustiça decorrente de nossa tradição punitivista e precipitada".

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