Juiz investigado por suposto rombo milionário aos cofres da União se desliga do STJ

O magistrado atuava como assessor do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O desligamento aconteceu a pedido do próprio juiz.

Escrito por Redação, seguranca@svm.com.br

Segurança

O juiz federal Augustino Chaves foi desligado da assessoria do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Chaves é um dos alvos da Operação Skiagraphia, deflagrada em Fortaleza e em mais quatro cidades brasileiras na última sexta-feira (20) para apurar suposto rombo milionário aos cofres da União.

O magistrado era assessor do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O desligamento aconteceu a pedido do próprio juiz. Conforme nota do Tribunal, Augustino Chaves solicitou a saída no dia 20 de maio, horas após saber da operação deflagrada pela Polícia Federal. 

O ministro Humberto Martins acolheu o pedido e a revogação da portaria de convocação foi publicada. Em entrevista anterior, Augustino negou veementemente qualquer envolvimento no suposto esquema e afirmou à reportagem que irá provar sua inocência. Nesta quinta-feira (26), ele não foi localizado pela reportagem para comentar o desligamento.

BUSCAS

Conforme a Polícia Federal, dois magistrados com atuação no Ceará se tornaram alvos da operação Skiagraphia. Eles teriam interferido em processos na 20ª Vara de Execuções Fiscais, atuando a favor de grandes empresas cearenses devedoras da União.

Augustino tinha se dito surpreendido com seu nome envolvido no caso. O juiz chegou a afirmar que em nenhum momento foi intimado no decorrer da investigação para prestar esclarecimentos e que sua inocência ficará comprovada.

"Me acusam de fatos de 2012 a 2016, fatos arquivados sumariamente. Estão banalizando a busca e a apreensão. Vêm para cima de mim com coisas que não são contemporâneas, coisas genéricas. É uma narrativa unilateral. Nego envolvimento. Estão me colocando em um grupo ao qual eu não pertenço", disse Augustino Lima Chaves.

Durante coletiva de imprensa, delegados federais destacaram que os juízes teriam fraudado cobrança na dívida ativa por meio de ações que tramitavam na vara a qual atuavam. A reportagem questionou a PF o que e quanto estariam supostamente sendo fornecidos aos magistrados suspeitos em troca da participação no esquema. Segundo os investigadores, esta informação ainda será apurada.

ADVOGADO SUSPEITO

A Polícia Federal investiga a relação da evolução do patrimônio dos alvos da Operação Skiagraphia com o rombo bilionário aos cofres públicos da União. A reportagem do Diário do Nordeste apurou que, além dos dois juízes federais, um dos principais alvos da PF supostamente envolvido no esquema é o advogado José Maria de Morais Borges Neto. A reportagem entrou em contato com o escritório do advogado, mas não houve retorno para comentar a investigação.

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Legenda: Na última sexta-feira (20), em um dos escritórios dele foram apreendidos pelos agentes R$ 930 mil.
Foto: Divulgação/PF

Borges Neto esteve durante anos como diretor administrativo de uma das varas da Justiça Federal do Ceará, incluindo o período em que o magistrado Augustino Lima Chaves, outro investigado na operação, era diretor do Foro. Atualmente, é proprietário de um escritório de advocacia com sedes em Fortaleza, Recife e São Paulo. Na última sexta-feira (20), em um dos escritórios dele foram apreendidos pelos agentes R$ 930 mil.